quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Concrecoisa IV

 


Perseverantes!

Aquelas pessoas nunca desistiram.

Os espinhos não foram suficientes para silenciar os passos.

Sempre, ao nascer do dia, o sol convidava para uma nova jornada.

E as flores celebravam o renascer.  

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto III

 


A dura realidade que emoldura o envelhecimento marca o microconto desta semana.

A dor castiga!

Mesmo assim, o ser humano vem conseguindo viver por mais tempo com os avanços da medicina e da farmacologia.

A utopia da vida eterna, porém, sofre abalo quando as flores do adeus são lançadas sobre um caixão em mergulho no chão cavado.

E o que foi vivido adormece nos registros em livros, áudios e filmes e nas memórias dos que ficaram.

As flores murcharam…

E o tempo desfaz sem piedade o novelo de lã da vida.

Assim ele mostra que a vida é muito rápida, mesmo com tanta ciência.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto II

 

O microconto publicado na concrecoisa desta sexta-feira, dia 10, foi escrito em 30 de abril de 2010.

Onze anos se passaram e tudo permanece atual, pulsante.

A imagem atua como moldura da narrativa.

Os elementos da narrativa estão nela.

Está tudo em sintonia e em harmonia.

O sol também está presente na imagem. É ele que vai nos levantar para enfrentar as adversidades da vida.

A vela da vida de cada um ainda tem muito para queimar!

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto I

 

A partir desta sexta-feira (03-09-2021), estarei publicando uma série intitulada Microconto.

Os microcontos foram escritos há algum tempo. 

Encontrei-os por acaso arrumando uma caixa com vários papéis.

Este primeiro microconto que agora vira concrecoisa, no original, foi escrito em 13 de abril de 2010.

Era assim: “Venha Dora, a vida nos espera. O ar sopra, em amor, os filhos. Anos passados, as flores vestem o eterno descanso dos amantes já velhinhos”.

Para o tema ficar mais amplo e, sobretudo, aberto às viagens mentais de cada um, fiz ajustes na ficção que tinha que ter 140 toques, como era o padrão do Twitter.

Os microcontos foram pensados para serem publicados no Twitter.

Muitos dos microcontos se vestem de microaforismos.

É isso!

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Concrecoisa Vivenciar

 


Viveu sem ar

Até nascer

Quando foi apresentado ao mundo

O ar doeu, ao beijar, os seus pulmões

Desde então

Tudo se resumiu em

Respirar

Expirar

Respirar

Expirar

Pois tudo virou ar

Um ar cataventado

E uma mostra que

Se é ar

É vivenciar

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Concrecoisa Descaminho

 

O caminho estava traçado desde o começo de tudo.

Todos seguiam felizes.

Alguém pegou uma outra rota.

Foi pelo descaminho.

Chegou num lugar desconhecido.

Viu que aquele lugar era bom.

Ficou ali por anos até caminhar pelo velho caminho.

E foi seguindo, seguindo...

Até chegar onde deveria ter chegado.

Viu que ali era pior do que o outro lugar.

Sentiu que o descaminho foi a sua alegria perdida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Concrecoisa Lixo

Tudo é lixo

E o que não é

Um dia será.


Basta ver 

A caminhada

Do mal

Na história

Da humanidade.


O lixo

Não se cansa

De ser produzido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Concrecoisa Sereno

 

O sereno caiu

Molhou o chão

E aquela pessoa serena

Que assistiu

Em sossego

Celebrou

Porque o sereno

Encontrou para amar

Um ser sereno

E o sereno caiu novamente

Para nunca deixar de molhar

A esperança

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Concrecoisa Mistério


O mistério enlaçou o infinito do mar, no começo de tudo.

Um pescador ficou sabendo dessa história numa mensagem do vento.

Ao deitar, pensou em ter um tiquinho desse mistério.

A ideia era guardar até o último dia de vida.

No dia seguinte, ele acordou bem cedinho e pegou uma gota d’água do mar encantado.

E guardou num vidrinho hermeticamente fechado.

Os anos passaram…

Todos os dias, antes de dormir, ele olhava para aquela gotinha e rezava.

Incrivelmente, o volume aumentava lentamente depois de cada oração.

Quando o vidrinho encheu, depois de muitos anos de reza e fé, ele sentiu o prazer jamais experimentado.

Então ele foi ao mar e devolveu aquela água multiplicada, uma gotinha do passado.

Nesse mesmo dia, ao deitar, sentiu a libertação d’alma.

O tiquinho do mar havia se transformado na sua vida eterna.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Concrecoisa Coragem indômita

Aquela pessoa dizia que tinha coragem.

E que tudo era fácil.

Sobre o amor, achava algo simples, como trocar de roupa.

Certo dia, apareceu um desafio.

Encontrar a cara-metade e amar de verdade.

Então, a coragem que dizia ter foi embora.

E o amor foi vestir uma outra pessoa.

Aquela pessoa que achava tudo fácil já não tinha algo que é do amor verdadeiro, que é ter coragem indômita.

E o amor seguiu a sua jornada.

E continua a desafiar quem quer que seja.