quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Concrecoisa Carona


A minha estrada não é cenário. Pelo contrário, ela é o meu verbo em movimento.

E os meus pés escrevem no chão aquilo que a voz não diz. E sempre escrevem algo que eu não imaginava.

E os meus calos? Cada um é uma memória que insiste em continuar. Deixo-os em paz!

E vou andando, andando... Em paralelo, os carros passam como o tempo, indiferentes ao meu esforço.

A minha jornada não se mede em quilômetros, mas em resistência.

Cansar também é uma forma de aprender o meu limite.

Andar para mim é aceitar que o corpo entre em negociação com o destino.

E na caminhada, repentinamente, surge uma carona como interrupção da solidão.

Salvar, às vezes, não é chegar, mas ser visto.

Assim eu sigo, pois 2026 é logo ali.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Concrecoisa Mundo


Um rei disse:
“O mundo é meu!”.
Ele morreu acreditando que era verdade.

Um outro rei, num outro lugar, disse:
“O mundo é meu!”.
Ele morreu acreditando que era verdade.

Outras pessoas poderosas falaram a mesma coisa.
E todas morreram acreditando que era verdade.

E o tempo foi passando…
Certo dia, um mendigo disse:
“O mundo não é meu, não é de ninguém!”.
Ele morreu acreditando que era verdade.

O mundo, de quem é?
Já que ninguém o guarda por inteiro.
Ele pertence ao tempo.
E quando alguém diz “é meu”,
Ele esquece de dizer que “não é de ninguém”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Concrecoisa Piedade

Sem piedade,

a humanidade 

perde o rumo,

perde o prumo,

perde o sentido.


Com ela, 

reencontra o passo,

reencontra a luz

e tudo que nos torna

dignos uns dos outros.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Concrecoisa Sem resposta


Uma pergunta
sem resposta
é uma porta fechada.

Uma pergunta
sem resposta
esbarra no silêncio.

Uma pergunta
sem resposta
atiça o mistério.

Uma pergunta 
sem resposta
faz o pensamento vagar no vazio.

Uma pergunta
sem resposta
responde sem responder.