sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Concrecoisa Fio


O fio que tece a vida é tênue.
Pendurado, nele, estamos.
Por um fio, vive o mundo. Vivem as pessoas, melhor dizendo.
No pêndulo das inquietudes, o fio estica, estica, afina, alonga.
Como as aranhas, todos tecem o seu fio existencial.
Nele, as transformações aderem às coisas e prendemos o grande amor.
E o fio continua sendo tecido.
Esticando, afinando e alongando, ele entra em processo de fadiga.
E o próprio fio fica por um fio e conduz o destino dele mesmo, que é o destino de cada um.
Um dia o fio se parte.
E a aranha humana perde o que há de mais belo: a vida.
E o fio tecido, já empoeirado, passa a ser história, nada mais.  

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Concrecoisa Greve


A Polícia Militar da Bahia entrou em greve.
A cidade ficou em situação grave.
Houve bagunça e muita morte.
Grito na rua.
Grito na praça.
Grito na avenida.
Gritos em todos os espaços das urbes, agora de ninguém.
O pleito: a grana, a equiparação ao policial federal.
A grima (ódio, raiva) nos olhos dos amotinados externava o inconformismo.
E o groverno (assim mesmo) foi tomado de surpresa. Um governo eficiente não seria tomado de surpresa. Só groverno toma bola nas costas, diz a gíria futebolística.
Forças nacionais na Bahia.
Mortes na cidade sitiada.
O medo pulsa nos olhares de soslaio.
A greve inflou. O derrotado busca, desnorteado, o rumo de uma ideologia combalida e que jamais fora, de fato, verdade absoluta.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Concrecoisa Pedro II


Pedro negou Jesus.
Jesus predisse a negação, no Monte das Oliveiras, em reunião com os seus discípulos.
Pedro, então, disse para Jesus: “jamais te negarei”.
A negação, em verdade, foi uma traição ética.
A Concrecoisa Pedro II é uma remissão a esta passagem bíblica.

São três negações seguidas
Eu não conheço Ele
Eu não conheço Ele
Eu não conheço Ele
Depois o galo cantou

A primeira Concrecoisa Pedro não tem a palavra “eu” na frase “não conheço Ele”.
Foram três negações de Pedro e depois o galo cantou.
Pedro, envergonhado com o próprio ato e lembrando o que Jesus dissera, rompeu em soluços.
O que Pedro fizera – medindo com a régua de cada tempo, como diz o amigo Aníbal Gondim – serve de exemplo para atestar a combalida fraqueza humana.
Hoje, milhares de atitudes semelhantes, tal qual a de Pedro, viraram lugar comum.
Pedro está por toda a parte.
E haja negação sobrepondo negação.
Ninguém não conhece nada (alguém ou algo) e não enxerga nada quando está em situação de risco.
E mesmo assim, mesmo tendo negado Jesus, Pedro tornou-se pilar da Igreja Católica.
Cocorocó... E o galo canta todas as manhãs no terreiro do desespero humano.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Concrecoisa Nós


Quem vive só opta pelo eu, pelo eu absoluto.

Não é egoísmo. É opção da razão e com permissão d’alma.
Estar só não significa tristeza.
O só em estado feliz é a presença do outro, que é o tu invisível.
A felicidade, então, é a amálgama do nós, quando o eu e o tu formatam a plena harmonia do mundo material (a carne) com o mundo imaterial (o espírito).
Aqui, a Concrecoisa Nós celebra esta união.
O espelhamento em amarelo das palavras representa a alma.
As palavras em branco representam a carne.
O nós, em preto, é o enigma desta união, síntese do estado de nirvana.
É isto! A fusão do eu com o tu está em cada um de nós.     

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Concrecoisa Sorte


A palavra sorte causa estranheza.
Muitos acreditam nela.
Tem também os céticos, os contrários, o que é normal.
Eu acredito na sorte, porque ela atua dentro da sincronicidade das coisas da vida.
Sorte é um pouco de espiritualidade.
É um ingrediente da competência. Faz parte da profusão do saber.
A letra esse, que centraliza a força da Concrecoisa Sorte, é o ponto irradiador da sincronicidade da inesperada e bem-vinda sorte.
O cantor Fernando Mendes, em uma de suas obras clássicas, em 1976, disse que “sorte tem quem acredita nela”.
E é verdade, pura verdade!
Para quem acredita na sorte, digo:

Sua
Sorte
Sorri
Segure
Sempre

Quando a sorte chega, de surpresa, mansamente ou como um raio, temos que segurá-la sem aprisioná-la, pois quem aprisiona acaba perdendo-a.
Dei asas à minha sorte.
Como bumerangue, ela sempre volta ao porto de minha esperança e nunca me desampara.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Concrecoisa Semba


O som da Bahia, em transa com a África, passa pelo Caribe e retorna à África. Depois, como bumerangue, aporta em Salvador.
Isso é o que acontece desde sempre.
O ciclo do agora é o ciclo do semba.
Semba, na Bahia, é Magary Lord, que é parte do mundo sonoro da Concrecoisa, que é o Concre-som.
Magary participou do primeiro disco do Concre-som, em 2006. Ele cantou e tocou percussão.
Participaram também da obra Luiz Caldas, Vandex, Frederick Steffen, Mariela Santiago, Ed Vox, Maurício Pedrão e Sérgio Kopinski.
A Concrecoisa Semba será um Concre-semba.
Yeba é o grito de guerra que Magary lança nos shows e no disco Escutando Magary, o terceiro da carreira em ascensão.
Fico feliz por tudo e a Concrecoisa traduz esta felicidade com uma combinação de cores e letras.
Tem também o neologismo sembangola (semba + Angola), que é uma remissão ao berço do som que flui livre, leve e solto.
Yeba, yeba, yeba!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Concrecoisa Convergência


Tudo tende para um mesmo ponto.
Como as folhas de um livro em perspectiva.
Como a perspectiva da vida de todos.
O mundo se movimenta em função das convergências, mas não atentamos para este fenômeno. É a cegueira humana, nada mais!
O dia converge para a noite e a noite converge para o dia, repetidamente.
O rio converge para o mar e a chuva converge para a terra.
A natureza comanda a convergência.
O ser humano, em divergência e no jogo das ilusões sociais, usa e abusa da convergência do egoísmo. O umbigo é o foco.
Como tudo está ligado, a convergência convida a divergência para apreciar o infinito encontro de tudo, como faz agora a Concrecoisa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Concrecoisa Anovo


O poder da mudança está na pessoa.
Todo tempo é tempo de mudança.
Como estamos mudando de ano, deixando 2011 para trás, a Concrecoisa Anovo brinda a mudança de data.
Ano + Novo = Anovo.
Velho + ano = Velhano.
Os neologismos (anovo e velhano) estão sendo criados ou recriados, sei lá!?.
Alguém deve ter pensado nestas junções de palavras.
Como disse na imagem, que é a Concrecoisa:

anovo
velhano
mudança
um dia
outro dia
igualdia

Termino com a palavra igualdia, outro neologismo, que é a junção de igual + dia.

E tudo se repete, tudo se molda aos modismos que insistem em nos domar.
O ontem afronta o agora sem, nunca, um sentir o que o outro é.
Tempos distantes e taças de qualquer coisa com qualquer coisa a brindar.
Feliz anovo (2012) e adeus velhano (2011).
O tempo segue ordenando o que temos o que fazer.
Tintim...
Tintim...
Tintim...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Concrecoisa Espuma



A espuma é algo divino.
É como a própria vida.
Um dia se forma e outro dia desaparece.
Quando a espuma desaparece, o ar volta para a atmosfera.
E a espuma que havia criado uma imagem, cria em si a imagem do inesperado, que é o próprio desaparecer.
Quem assistiu a imagem se formar realiza um sonho só naquele instante.
Depois, o sonho morre, ou melhor, se transforma em lembrança.
Aqui, temos uma ave, temos o mar, temos a luz e diante dos olhos a imaginação.

Bolhas de ar...
Ar no líquido...
Ar da forma...
Magia no ar...

E a espuma rapidamente adormece.
Ploc, ploc, ploc, ploc...
Ela precisa adormecer para voltar a ser o que nunca fora.
Imagens das espumas jamais são iguais.
Ainda bem que somos espumas. Ainda bem!!!!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Concrecoisa Grude

 
Grudar a semente do bem n’alma pode gerar ao longo do tempo o fruto bondade n’outro.
Certo dia, um sábio andarilho, visionário por natureza, gravou numa pedra no deserto:

O visgo da bondade
Aderido n’alma de poucos
Gruda na pele, na carne e no osso
Como nódoa em tecido
Ou ostra no lodo

O tempo passou.
O andarilho morreu de sede.
E o seu pensamento foi disseminado por outro andarilho, que morreu desiludido na cidade grande.
Hoje, a nódoa da maldade teima em manchar almas.
E os andarilhos morrem ao longo do caminho onde a esperança por um mundo melhor acaba virando inscrição em pedra erodida.