sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Concrecoisa Ponto de vista



Na última sexta-feira, dia 8 de fevereiro, fui almoçar com o amigo José Pacheco Maia Filho no restaurante Filé do Juarez, na Cidade Baixa, área do Comércio de Salvador.

Na saída, antes de pegar a condução para a felicidade do viver uma tarde de sexta-feira sem nenhum compromisso de trabalho, descobri numa parede lateral do restaurante, do lado de fora, a imagem que sustenta o argumento da concrecoisa.

Fotografei e disse para mim, em silêncio de morte, sem o amigo Pacheco perceber, que aquele buraco da parede lateral seria o tema da concrecoisa da próxima sexta-feira (15/02).

E qual é a posição de um buraco?

Ele pode ser mais em cima, mais embaixo, mais à esquerda e mais à direita.

Tudo depende do ponto de vista.

Qual o seu ponto de vista sobre o buraco que nos circunda?

Eu tenho um entendimento que é segredo.

E tem aquele buraco, o do prazer, que é mais embaixo.

Mudando de assunto, e sendo o mesmo assunto, pois tudo está relacionado ao ponto de vista, digo com alegria que no último sábado, dia 9 de fevereiro de 2019, data que escrevi e concebi a concrecoisa desta semana, que o amigo José de Jesus Barreto completou 71 anos.

Por um ponto de vista, Barreto é um menino em transformação.

Por outro ponto de vista, ele é um senhor com muita experiência de vida.

Aqui na concrecoisa, no meu entendimento, o amigo aniversariante é sabedoria em explosão.

Isso quer dizer que menino e experiência vivem num só corpo e para a eternidade.

Vivemos, então, em completude dentro do ponto de vista daquilo que cada um é.

E viva o buraco, o começo de tudo!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Concrecoisa Eco



A lama tomou conta de tudo

E contaminou a cidade

Contaminou os rios

Contaminou as matas

Contaminou as pessoas

E uma voz dissonante

Dona de si

Fez-se eco

Foi o eco da fama

Pois a voz da fama

Está perto da lama

Para tudo começar novamente

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Concrecoisa No deserto



Era rei.

Era egoísta.

Espelhava deserto.

E assim tocava a vida.

...

Porém, o poder derretia.

E ele não percebia.

Pois era rei.

Que plantava egoísmo.

E colhia deserto.

Quando morreu de sede.

Entendeu que o deserto era ele, só ele.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Concrecoisa Entretempo



O tempo corre

Nesse entretempo,
Tudo acontece

O tempo corre
O tempo corre

Sucesso, alegria, saúde e paz

O tempo corre
O tempo corre
O tempo corre

Nesse entretempo,
Tudo acontece

O tempo corre
O tempo corre
O tempo corre
O tempo corre

Fracasso, tristeza, doença e guerra

O tempo corre
O tempo corre
O tempo corre
O tempo corre
O tempo corre

Nesse entretempo,
Tudo acontece

O tempo corre...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Concrecoisa Puído



Sujos vasos de flores

Caneta jogada num lado

Papel amassado no outro

Anotações

A bagunça era a ordem

Farelos de pão sobre a mesa

E mais farelos no assoalho

E ele

Recluso

Sentia a vida no jeans puído

E respirava o ar de um mundo envelhecido

Mundo que não era mais seu

O jeans rasgou

As pétalas caíram

Comprou outro jeans

Plantou num vaso limpo

Tinha muito para viver, contar e semear

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Concrecoisa Abismo



Em Amoratim, uma cidade desconhecida de Atlântida, a ordem dos deuses era para amar demasiadamente.

Todos já nasciam com essa chama acesa por dentro.

Na adolescência, essa chama derretia a carne e fazia explodir todas as possibilidades do prazer.

De tanto amar, os moradores de Amoratim vivam sempre em êxtase.

Só que os desuses saibam dos muitos perigos do amor.

E os moradores hipnotizados não sabiam de nada.

Foi por isso que Afrodite pediu para Zeus construir Amoratim ao lado de um abismo.

Pois sabia que alguém poderia, a qualquer momento, perpetuar o amor ao morrer de amor.

“Morrer de amor é viver perto do abismo”, escreveu Zeus na pedra de fundação de Amoratim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Concrecoisa Sorriso da vida



Zé vivia triste.

Mané, seu amigo, tocava a vida muito feliz.

Zé quis saber de Mané o motivo de tanta alegria.

Mané apontou para o seu roçado.

Zé não entendeu, pois também era agricultor.

Mané mostrou a carteira sem cédulas e com apenas uma folhinha verde colhida na roça.

Zé continuou sem entender.

Mané então disse que “a sorte sorri para quem cultiva trevos”.

Desde então, Zé foi colher trevos de quatro folhas na plantação de Mané.

Depois de achar apenas um, voltou a sorrir.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Concrecoisa Linha



A linha é a vida

Linha que parte

Como a vida, também

O novelo é a vida no começo

Porém, o novelo vira linha depois de percorrer o tempo-espaço, desenrolando-se

Então a linha alinha-se no eu

E, o eu, desalinha-se no outro

Já que todos são linhas

Umas alinhadas em outras linhas

Outras emendadas nos nós da dor

Linha que há de alinhar e desalinhar

A linha, que há, é a linha que há!

Como a vida; linha que vira horizonte!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Concrecoisa Calendário



A cidade dormia.

O vento uivava ao cruzar a esquina.

Alvorada!

E aquela pessoa agitada gritava sem parar...

– Cada dia com a sua agonia.

– Um dia de cada vez.

– Cada hora com os seus minutos.

– Um dia de cada vez.

– Cada dor com o seu remédio.

– Um dia de cada vez.

– Cada um com a sua cruz.

– Um dia de cada vez.

– Cada dia feliz para quem merece a felicidade.

– Um dia de cada vez.

Chegou o Natal.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Lançamento - Livro Concrecoisa - Volume 2



Hoje, dia 14, o livro Concrecoisa - Volume 2 ganha versão impressa.

Neste espaço virtual onde as concrecoisas nascem despidas de qualquer tipo de preconceito, sempre às sextas-feiras, o livro pede licença para dizer: existo!

E o que isso significa na prática?

Significa dizer que a tradição do livro permanece viva em tempos digitais e essa tradição convive pacificamente com as outras plataformas, com os outros suportes.

E como adquirir este objeto de papel que acaba de ser lançado?

Basta mandar um e-mail para 
rasec1963@gmail.com combinando a forma de pagamento e modo de entrega.

Pronto! 

O livro Concrecoisa - Volume 2 está lançado e ninguém foi “obrigado” a sair de sua casa para participar de um evento de lançamento.

Essa economia já paga o livro, que custa R$ 20,00. Os custos dos Correios são pagos separadamente, dependendo de cada lugar.

O lançamento foi ao seu encontro.

Obrigado por concrecoisar!