Concrecoisa é imagem, é palavra, é ideia, é filosofia, é ciência, é César Rasec, é qualquer coisa. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é a concrecoisa. rasec1963@gmail.com Direitos reservados e protegidos por lei. Uso de imagem e texto só com a autorização, por escrito, deste autor.
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Concrecoisa Cabeça
O que passa pela cabeça de cada um é assunto intrigante e que alimenta trilhões de páginas de livros.
A psicanálise tenta explicar.
Pois na cabeça cabe tudo.
Ou não, como dizia Walter Franco, autor da canção “Cabeça”, defendida no Festival Internacional da Canção de 1972.
– O que é que tem dentro dessa cabeça, irmão. Essa cabeça pode..., dizia Walter Franco.
Ainda na música, a cabeça, no plural, estampava na capa do LP “Bicho de 7 cabeças”, de Geraldo Azevedo. O disco foi lançado em 1979.
Outro disco que levou o nome cabeça foi do grupo de rock Titãs. “Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986, foi o terceiro álbum da banda.
E a cabeça que rola na música tem ligação direta com Medusa, da mitologia grega, com sua cabeça cheia de serpentes.
O medo cabe na cabeça!
Obedeça a cabeça. Desobedeça a cabeça.
Tudo cabe e não cabe na cabeça.
Cada um sabe (ou não) a dor de cabeça que tem!
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Concrecoisa Geometria em harmonia
As formas geométricas estão em todos os lugares.
Elas falam por si.
São poemas muitas vezes despercebidos.
Os polígonos são versos.
As linhas retas e curvas são versos.
Os círculos são versos.
E nenhuma forma precisa brigar com a outra para viver feliz, nem com as linhas.
Elas vivem em harmonia.
Os círculos convivem com os polígonos, com as linhas retas e curvas.
Essas formas geométricas em harmonia ensinam mais do que todos os tratados que buscam deixar o mundo melhor e sem conflitos.
A lua redonda, lá no céu, sorri no quadrado da janela.
Assim é a poesia das formas geométricas diante dos nossos olhos.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Concrecoisa Ciúme
O ciúme é capaz de tudo.
Já fez inúmeras vítimas e continua fazendo.
A Bíblia mostrou que o ciúme alimentou o instinto mais primitivo do homem.
Esse instinto fez Caim matar Abel.
O ciúme é uma semente da inveja.
Ele age como gotas de veneno que matam aos poucos.
E de tanto ceifar vidas, por vezes ele acaba cometendo suicídio.
O ciúme também gira como ponteiro de um relógio solar no dorso da história da humanidade.
Qualquer hora é a sua hora de despertar!
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Concrecoisa Sozinho
Tudo tem um porém
E esse porém gosta de brincar com a imaginação
Foi assim que a borboleta dos sonhos do poeta José de Jesus Barreto brincou de ziguezaguear com o passar do dia
Ela gosta de driblar as folhas secas que beijam o chão ao sabor do vento
E numa dessas brincadeiras assistidas por Barretinho
Lá num certo além
Uma borboleta pensou que era Garrincha
Aquele que se divertia entortando os adversários e de quebra escondia a bola num lugar que só Pelé tem o mapa
Dizem que esse lugar fica num outro além, muito além das quatro linhas do campo de futebol
O escritor e jornalista Nelson Rodrigues mostrou nas entrelinhas de suas crônicas futebolísticas o caminho para chegar nesse além
E entre um drible e outro
Cada um com o seu modo de viver
Alguém esqueceu de dizer
Que entre o porém e o além
Tudo é sozinho
E alguém é ninguém no além
A bola está lá...
É gol!
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Concrecoisa Pecados em pedaços
Os pecados
São pés descalços
Os pés descalços
São pedaços dos caminhos
Os caminhos
São laços desatados
Os laços desatados
São novos caminhos dos pecados
Os pecados
São gritos silenciados pelas leis de aço
As leis de aço
São sussurros amordaçados
Os amordaçados
São todos
Ali tem sapato!
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Concrecoisa Avidavaleapena
Ninguém mais circulava mais pelas ruas.
Estava tudo travado.
Estava tudo travado.
Lockdown, lockdown, lockdown, lockdown...
Todos ficaram reféns das novas medidas.
Ditadura das leis, da ordem, do poder.
Choros e risos foram ouvidos nos apartamentos grandes e minúsculos.
E também nos barracos que são piores do que as velhas cavernas do período paleolítico.
Porém, os passos da vida ainda ecoam.
E nada de aglomeração.
Aquela transa deixou de rolar.
Tudo para evitar o monstro invisível, Seu Coronga.
Todos querem viver mais e mais.
"A vida vale a pena!", poetou Coroguinha disfarçado de anarquista.
"Seu Coronga não morreu, Seu Coronga sou eu", retrucou bem alto o dono da lei.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
Concrecoisa O fio
Ele ficou ali, perdido, adormecido, esquecido…
Encontrei-o sem querer, num descuido do olhar.
Estava numa mesa com tampo de vidro, onde trabalho os meus pensamentos, as minhas ideias.
Ele ficou entre o vidro e a base de apoio.
Não sei como chegou ali.
Só sei que ele estava lá.
E a minha cabeça, sem ele, já não sentia a falta da sua presença.
Outros irmãos ajudavam a superar aquela perda.
Assim os fios de cabelo se vão.
Cada um procurando um novo cantinho para passar a viver.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Concrecoisa Moraes Moreira
A morte do compositor, cantor, cordelista e escritor Moraes Moreira, no dia 13 de abril, aos 72 anos, enlutou a Música Popular Brasileira (MPB).
Ele era o principal nome do grupo Novos Baianos, que fez história na cena musical do final dos anos de 1960 e começo dos 70.
Eram tempos com tensões políticas e com mais arte e menos grana.
Moraes brilhou também em carreira solo e viu o Brasil descer a ladeira graças ao olhar de João Gilberto, seu mestre.
João também fez Moraes evoluir no tocar do violão.
Ensinou-lhe sem precisar dar aula, só dedilhando clássicos da bossa nova, encantando, brasileirando, agregando gerações.
Autor da canção “Acabou Chorare” em parceria com Luiz Galvão, obra que deu nome ao disco emblemático de 1972 dos Novos Baianos, Moraes conseguiu transitar pela música trieletrizada do Trio Elétrico Dodô & Osmar.
Nesse trânsito sem preconceito, deu molejo ao frevo pernambucano com o dendê da Bahia.
De Ituaçu, interior baiano, ele saiu com o violão colado ao peito para conquistar o Brasil com música.
Agora ele deixa esta dimensão para conquistar a eternidade!
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Concrecoisa Controle da história
Em conferência na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em março deste ano, o escritor e antropólogo Antonio Risério apresentou um rico trabalho intitulado "Em busca da nação perdida".
Tive a grata satisfação de ler o material, que acabou virando tema da concrecoisa desta sexta-feira (24/04/20).
Diz Risério que "certa esquerda brasileira se empenhou numa revisão" da história do Brasil, num "empenho mal", optando pelo "maniqueísmo".
E por conta desse maniqueísmo, "repetiu a velha história, invertendo os seus sinais".
Disse ainda que isso se agravou nos parâmetros escolares do ensino no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando "esta história se converteu em práxis escolar...".
E numa lucidez que merece moção de aplausos, Risério afirmou que "esta nova história substituiu mentiras antigas por mentiras novas".
Foi neste ponto que a concrecoisa brotou.
Obrigado Risério pela sabedoria, pela conferência, e por ver tudo isso dentro do caldeirão de irracionalidade que tomou conta do Brasil.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Concrecoisa Triz
Diz a atriz:
Tudo está por um triz.
Se é força motriz.
Tudo está por um triz.
Se ela contradiz.
Tudo está por um triz.
Se é diretriz.
Tudo está por um triz.
Se é matriz.
Tudo está por um triz.
Diz a atriz.
Diz a atriz.
Diz a atriz.
Tudo está por um triz.
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