quinta-feira, 13 de julho de 2023

Concrecoisa Adiar

 


O tempo é ouro, foge,
No relógio não há choro,
Pois tudo derrete.

Em cada tic-tac, um presente,
Felicidade não tem data,
E não deve ser adiada.

Cada instante é dádiva,
No amanhã incerto,
Sonhar não basta.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Concrecoisa Todo tudo

 

I

Todo o mundo, outrora cheio de encanto e voz,
Hoje em silêncio profundo, de mudo rei faz alarde.
Tudo ao redor, sem som, como um vazio atroz,
Transforma-se em ecos de um passado covarde.

No vasto céu, estrelas perdem seu brilho intenso,
No espelho do lago, a lua reflete turva e dispersa,
A noite cai, e o manto do silêncio,
Encontra no mundo mudo sua vasta e amarga conversa.

II

Surdo ao clamor da noite, o dia em vão resiste,
Tudo tem o sabor da ausência, da saudade finita,
O mundo, todo emudecido, a solidão insiste,
E eu, na margem do silêncio, meu canto decifra e imita.

Surdo ao ruído do tempo, o mundo se faz vazio,
Tudo em mim ecoa como um longo e turvo suspiro,
Todo o amor que uma vez senti, hoje é frio,
No palco deste universo, eu, mudo, no meu silêncio, respiro.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Concrecoisa Tempo brincalhão


Tempo brincalhão,
Ri nas horas, dança ao vento,
Escorrega na mão.

Tempo brincalhão,
Nuvens correm, dias fogem,
Em teu carrossel vão.

Tempo brincalhão,
Esconde o ontem, surpreende,
Risos de estação.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Concrecoisa Sempre...

Em cada coração pulsa uma fé viva,

No horizonte, sempre, um novo dia.

Acreditar, constante e decisiva,

É a força que em nós desafia.


Olha a rosa que no deserto cresce,

Pela fé, e não por um acaso.

Quem sempre acredita, nunca perece,

O impossível é apenas um passo.


Crê no sol que rompe a escuridão,

Na chuva que a seca amaina.

Crê na força da própria paixão,

Na dor que ensina, na alegria que treina.


Acreditar é o vento que nos guia,

No mar da vida, é a eterna poesia.

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Concrecoisa Desejo

 


Era uma vez a Solidão, que habitava as profundezas de uma caverna escura. Vivia sozinha, pois ninguém ousava chegar perto dela. Certo dia, um Sussurro veio da floresta e encontrou seu caminho até a caverna.

"Por que vives sozinha, Solidão?" perguntou o Sussurro.

"Porque ninguém se atreve a se aproximar de mim", respondeu a Solidão com um suspiro.

O Sussurro, ao contrário de todos, decidiu ficar. Ele disse: "Eu te manterei companhia. Nós podemos criar nossa própria sinfonia."

Naquele dia, a Solidão sentiu algo novo, um calor desconhecido, era o Coração batendo. O Coração, que se alimentava da conexão, brotou da união entre o Sussurro e a Solidão. Juntos, criaram uma sinfonia de sentimentos e emoções que ecoou pela caverna e alcançou os corações de todos aqueles que a ouviram.

A moral da história é que mesmo na solidão mais profunda, um simples sussurro de conexão pode despertar o calor do coração e trazer a luz da companhia.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Concrecoisa Faça e desista

 

Numa floresta verdejante, viviam Felisberto, o formigueiro, e Zé, o grilo. Felisberto sempre desejou ser como Zé, que podia saltar alturas incríveis, algo que ele, como formiga, jamais poderia.

Um dia, Felisberto achou um par de folhas que, amarradas nas costas, poderiam servir de "pernas saltitantes". Ele ficou entusiasmado com a ideia de finalmente poder saltar como Zé.

Mas seu plano não era tão perfeito quanto parecia. Na sua primeira tentativa, Felisberto caiu bem em cima de Zé, machucando-o gravemente. Felisberto ficou horrorizado com o resultado de seu desejo egoísta.

Com tristeza no coração, Felisberto desistiu do sonho de saltar, percebendo que seu desejo poderia prejudicar aqueles que amava. Ele aprendeu que, às vezes, desistir de algo que queremos pode ser a decisão mais sábia e gentil que podemos tomar.

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Concrecoisa Aço e paz

 

Em uma floresta distante, a Coruja, o Condor e o Pombo Correio eram vizinhos. A Coruja, sempre sábia, vivia tranquila, apesar de sua dúvida constante sobre seu caminho. O Condor, com sua majestosa envergadura, buscava incessantemente pela grandeza, enquanto o Pombo Correio, sempre ocupado, corria de um lado para o outro entregando mensagens.

Certo dia, uma tempestade violenta atingiu a floresta. Enquanto o Pombo Correio se abrigou temeroso e o Condor lutou contra o vento, a Coruja, apesar de suas dúvidas, decidiu confiar em sua resiliência forjada como aço e ficou em seu galho.

A tempestade passou, deixando a floresta em paz novamente. O Pombo Correio, cansado, percebeu que a Coruja ainda estava em seu galho. O Condor, humildemente derrotado, voou até ela e perguntou: "Como você aguentou a tempestade com tanta tranquilidade?"

A Coruja olhou para eles e disse: "A dúvida pode ser desconfortável, mas a resiliência, como o aço, é forjada na adversidade. E com ela, vem a paz."

Desde aquele dia, o Pombo Correio parou de correr tanto, e o Condor aprendeu a apreciar a simplicidade, e ambos viveram com mais paz, seguindo o exemplo da sábia Coruja.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Concrecoisa Paciência e perseverança

 


Era uma vez uma traça, um besouro e uma aranha que viviam em uma velha biblioteca.

A traça, sempre paciente, escolhia cuidadosamente os livros para se alimentar. Ela dizia: "Com paciência, encontramos a melhor refeição."

O besouro, firme e constante, trabalhava duro para mover folhas maiores que ele. "A perseverança nos permite superar qualquer obstáculo", ensinava.

A aranha, muito bem-sucedida, construiu uma teia brilhante no canto mais alto da biblioteca. "O sucesso é a combinação da paciência e da perseverança", dizia ela.

As três criaturas, apesar de suas diferenças, aprenderam umas com as outras. A traça mostrou como aguardar o momento certo, o besouro ensinou a persistir apesar das dificuldades, e a aranha mostrou que o sucesso vem quando se aplica a paciência e a perseverança.

E assim, cada uma à sua maneira, elas prosperaram na velha biblioteca, lembrando que a paciência, a perseverança e o sucesso andam juntos.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Concrecoisa Canto da liberdade

 

Em uma floresta exuberante, morava um pássaro alegre, conhecido por seu canto melodioso e cores brilhantes. Apreciado por todos, muitos tentaram capturá-lo para ouvir sua melodia em casa.

Um dia, um homem rico conseguiu prender o pássaro numa gaiola de ouro. Embora rodeado de luxo e alimentação farta, o pássaro perdeu seu brilho e parou de cantar.

Vendo isso, o homem ficou triste e perguntou: "Por que você parou de cantar?" O pássaro respondeu: "Eu canto porque sou livre. Sem a liberdade, minha canção perde seu significado".

Comovido, o homem abriu a porta da gaiola. O pássaro, imediatamente, alçou voo e voltou a cantar mais lindamente do que nunca.

A fábula nos ensina que a verdadeira felicidade não pode ser aprisionada. Ela vem de nossa liberdade para expressar quem realmente somos.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Concrecoisa Bota do passado


Havia uma vez, num reino distante, uma bota velha e desgastada que vivia em um armário empoeirado. Esta bota representava o passado de uma época que não voltaria mais. No armário, havia outros calçados novos e brilhantes que zombavam da bota velha, chamando-a de inútil.

Um dia, um jovem príncipe visitou o reino e pediu ajuda para encontrar o caminho até o castelo da princesa. Os sapatos novos se ofereceram, mas o príncipe, sábio, escolheu a bota velha. Com sua experiência, a bota velha guiou o príncipe por caminhos secretos, mostrando-lhe maravilhas esquecidas do reino.

O príncipe ficou encantado com a sabedoria da bota e prometeu respeitar o passado. Ao chegarem ao castelo, o príncipe agradeceu à bota velha e ofereceu-lhe a chance de ser consertada e renovada. No entanto, a bota recusou a oferta, pois sabia que seu valor estava em suas experiências vividas.

O príncipe compreendeu e respeitou a decisão da bota velha. Juntos, ensinaram ao reino a importância de valorizar o passado e suas lições. A bota velha continuou a viver no armário, orgulhosa de suas marcas do tempo e sabedoria, enquanto todos no reino aprenderam a respeitar e honrar a experiência e a história.