sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Concrecoisa Limite


Permissão é o sussurro que convida, uma fresta aberta para o desconhecido. 

Perdição é o passo que ultrapassa o chamado, caindo no descontrole. 

O limite entre ambos é um terreno ambíguo, onde as possibilidades fervilham e o inesperado espreita. 

É nesse espaço que o desejo e a razão se confrontam, enquanto a liberdade flerta com o risco. 

Aqui, qualquer decisão pode transformar o destino, tornando cada escolha um portal para o imprevisível. 

Quem cruza esse ponto, se lança no desconhecido, onde tudo pode acontecer e nada é garantido.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Concrecoisa Fel e mel


O fel e o mel são faces opostas de uma mesma essência.

O amargor ensina com dureza, enquanto a doçura consola o espírito.

No entanto, o tempo, senhor de todas as coisas, transforma ambos.

O que hoje é fel pode, com o passar das horas, adoçar-se como mel.

E o que é mel, se mal cuidado, azeda-se e amarga.

A sabedoria está em entender que o tempo age sobre tudo.

Não há dor eterna, nem prazer imutável.

Tudo se equilibra na dança das estações que o tempo conduz.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Concrecoisa Simplicidade


A simplicidade é a forma mais pura de verdade.

Quanto menos se acrescenta, menos se erra.

O excesso confunde, mas o essencial ilumina.

Na clareza do simples, o engano não encontra espaço.

Quem busca o essencial, encontra precisão.

A complexidade é terreno fértil para a dúvida.

A perfeição repousa no que é claro e direto.

No simples, cada passo é certeiro, pois nada sobra.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Concrecoisa Entardecer


Quando o sol entra no horizonte, já é tarde para voltar atrás.

A alma arde em anseios que o tempo não cede,
e o caminho, antes claro, começa a escurecer.

Chega o entardecer, e com ele a calma que a pressa desfez.

A luz se despede, o silêncio cede lugar à reflexão.

Tudo o que foi urgente, agora já não importa tanto.

A chama do dia se apaga, mas não sem deixar marcas.

Pois o que arde na alma, mesmo com o entardecer, persiste.

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Concrecoisa Sucesso iminente


O sucesso não bate à porta dos que esperam, mas sim dos que ousam abrir caminhos.

É o risco bem calculado que separa a mediocridade da grandeza.

Quem teme o fracasso já abriu mão da vitória antes mesmo de lutar.

A ousadia é a semente que, plantada no solo fértil da perseverança, floresce em conquistas.

O sucesso iminente não é promessa do destino, mas sim da coragem que desafia o impossível.

Há quem se perca em incertezas, mas os ousados navegam com o vento da determinação.

A grandeza não é para os que assistem da margem, mas para os que se lançam ao mar da ação.

Cada passo audacioso é um degrau na escada da realização.

O medo é uma barreira para os que não sonham, mas um combustível para os que o enfrentam.

O sucesso, enfim, é o prêmio reservado a quem ousa transformar o sonho em realidade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Concrecoisa Naufrágio da liberdade


Quando a liberdade começa a afundar, a democracia já avista o seu fim no horizonte. 

As correntes invisíveis do autoritarismo se apertam silenciosamente, sufocando o pensamento crítico e a expressão. 

Cada direito retirado é como uma onda que, sutilmente, desgasta as fundações do que parecia inabalável. 

A censura é o leme que desvia o barco para águas sombrias, e o medo, o vento que empurra a embarcação para o naufrágio. 

O diálogo, outrora porto seguro, é silenciado pelas marés de desinformação. 

A indiferença dos cidadãos torna-se o peso que faz submergir os princípios democráticos. 

E, assim, quando a liberdade afunda por completo, a democracia, em seu último suspiro, desaparece nas profundezas da tirania.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Concrecoisa Desespero da espera


A espera é uma linha tênue que separa o paciente do desesperado; quem espera, aguarda o tempo com fé, enquanto quem desespera, sufoca-se em angústia. 

A espera acalenta, mas quando prolongada, torna-se desesperada, um grito silencioso que ecoa na alma.

Desesperadamente, o coração anseia por respostas, mas é na calma da espera que se encontra a verdadeira sabedoria. 

Esperar é arte; desesperar é ruína. 

A espera nos ensina a confiar no tempo, enquanto o desespero nos faz prisioneiros dele. 

Entre esperar e desesperar, há o delicado equilíbrio que define nossa sanidade.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Concrecoisa Ser destruidor


A natureza cai

A natureza vai

A natureza tenta

A natureza reinventa

A natureza sai

A natureza esvai

A natureza sofre

E o ser desumano continua

Destruindo, agindo, destruindo, agindo...

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Concrecoisa Algoz

 


Vur era um tigre muito feroz.

Sua crueldade espalhava medo, aterrorizando todos que cruzavam seu caminho.

Numa noite enluarada, Vur avistou uma pequena coruja presa em uma armadilha de caçadores. 

A corujinha, de olhos arregalados, olhava para o tigre com temor, sabendo que seu fim estava próximo.

— Por favor, não me machuque! — suplicou a coruja, tremendo de medo.

Vur, movido por um impulso desconhecido, aproximou-se e, com suas poderosas garras, libertou a pequena coruja.

— Por que me ajudou? — perguntou a coruja, ainda incrédula.

— Não sei — respondeu Vur, surpreso com seu próprio ato.

A partir daquele momento, Vur começou a observar a floresta de maneira diferente, percebendo a beleza e a harmonia que existiam ali. 

Decidiu que não queria mais ser o algoz temido por todos.

No dia seguinte, ao ver um coelho sendo perseguido por um predador, Vur interveio, salvando o coelho. 

Os animais da floresta, inicialmente desconfiados, começaram a perceber que o tigre havia mudado. 

Ele agora ajudava aqueles que antes aterrorizava.

Com o tempo, Vur ganhou a confiança e o respeito dos animais da floresta. 

Em vez de espalhar medo, ele se tornou um guardião da paz. 

A transformação de Vur ensinou a todos uma valiosa lição: mesmo o mais temível dos algozes pode encontrar redenção e mudar, tornando-se uma força do bem.