sexta-feira, 3 de março de 2017

Concrecoisa Andanças


Caminhos trilhados, desde guri.

Em cada rua, um novo amor.

Nas cidades, sonhos espalhados.

Cheiros misturados.

Segredos na alcova.

Passos vividos com emoção.

E com lágrimas que adubaram terras áridas.

Um canto de esperança era assobiado com sorriso.

Já que os calos esculpidos nas solas dos pés marcaram com dor o fluir do tempo.

Feliz! Assim vive Zyon Dylan.

Neste instante, da cama onde adormece, ele contempla o velho All Star.

Ali, parado, o presente narra as andanças que ficaram empoeiradas nas zonas abissais da memória.

E o futuro veste-se de presente.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Concrecoisa Carneval


A carne tremeu.

A carne dançou.

A carne “comeu água”, muita água.

Água que passarinho não bebe.

A muvuca era tudo.

Beijou mais do que um beija-flor.

Esqueceu que era gente.

Pobre? O que era isso?

Não sabia.

Também não sabia mais quem ele era.

Na Quarta-feira de Cinza, chorou com o fim da festa.

A carne voltou para a realidade.

E um vendaval de sofrimento inundou mais uma vez a sua vida.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Concrecoisa Bumerangue


Guripo nasceu menino bom.

Aos poucos, a maldade do mundo foi tomando conta de sua mente.

Quando deu por si, a maldade estava instalada.

E Guripo lançou a maldade no horizonte.

O outro era o alvo.

Todos que estavam no seu caminho caíram.

O tempo foi passando.

Guripo vencia com a maldade nos olhos.

Um dia, na esquina da vida, o mal derrubou Guripo.

Ele tentou se levantar.

Disse que ficou bonzinho.

Era tarde demais.

– O mal é bumerangue!

Ecoou a voz da vingança.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Concrecoisa Caidera


A cadeira nasceu com três pés.

Quem sentou, caiu.

Três pés e não quatro.

Uma cadeira perfeita em si.

Talvez um erro.

Pois o erro é tudo.

Seu inventor chamou de caidera.

Os outros pensaram que estava escrito errado.

Mas não estava.

Já que o erro é tudo.

A cadeira não é caidera.

A caidera é caidera, apenas.

E onde o vento gosta de sentar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Concrecoisa Cooptar


O amor estilhaçado
Era uma taça
Que beijava
Bocas apaixonadas

...

Na forma de taça
O vidro coopta
A água
E o ar
Só para amar!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Concrecoisa Honra



– Pode comprar, eu garanto. A casa não tem problema de documentação. Qualquer coisa, devolvo a sua grana.

– Tunugo, não é melhor deixar no papel, tudo certinho e no preto e no branco?

– Diogre, você sabe que eu não assino nada e negócio comigo é na palavra. Cê né homem não?

– Não me venha com esse papo mole de ser homem, Cê sabe que sou espada! Aqui é negócio. Sabe lá se um dia a sua palavra bufe. Aconteceu certa feita com o velho Nicolau, lembra? Ele sofre até hoje.

– Rapaz, vai ou não vai fechar o negócio?

– Vou confiar na sua palavra. Venha, aperte cinco, com a mão direita.

Assim o negócio foi fechado entre Tunugo e Diogre.

Um mês depois, a casa entrou na dívida pública porque o antigo proprietário não pagou os impostos.

Aflito com a situação, Tunugo procurou Diogre para rever o dinheiro da negociação.

– Viu Diogre, a casa tinha problema na documentação. Quero o meu dinheiro de volta.

– Que dinheiro?

– O que eu paguei. Você deu a palavra que não ia ter problema.

– Né mais comigo não. Veja com o antigo dono.

– Você deu a palavra, lembra?

– Lembro não. Esse negócio de palavra já era.

– Bem que meu pai dizia que “palavra é honra de poucos”.

– Pois é! Você devia usar na prática o que seu pai dizia.

No dia seguinte, Tunugo estava foragido e Diogre com a boca cheia de formiga.

Diogre não sabia que na lápide do pai de Tunugo estava escrito “palavra sem honra se resolve na bala”.  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Concrecoisa Aberração


O homem nasceu bicho.

O bicho virou homem.

O bicho nasceu homem.

O homem virou bicho.

A natureza assistiu todas as transformações do homem.

E não fez nada.

O homem nasceu bicho.

O bicho virou homem.

O bicho nasceu homem.

O homem virou bicho.

Com o tempo, a aberração homem venceu.

Hoje, o home é isso que está aí: síntese das sementes do bem e do mal.

Homem bicho e bicho homem.

Restos de um erro da natureza!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Concrecoisa Tramaramar


O amor saiu pelas ruas de Nova Iorque.

Numa esquina bem movimentada, encontrou um outro amor e ficou.

No dia seguinte, o amor encontrou um outro amor e também ficou.

Os amores foram modificando, a cada dia, e sempre ficando.

E o amor não percebeu que estava vivendo uma forma de tramar contra ele mesmo.

De tanto tramar, o amor virou desamor.

E quando percebeu que não amar é tramar, o amor estava sepultado na loucura dos dias de hoje.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Concrecoisa Por aqui


Eram várias ruas.

Eram várias portas.

Eram várias pessoas.

Eram vários produtos.

Eram vários verbos.

Eram várias profissões.

Eram vários autores.

Eram vários desejos.

Tudo estava ali, no caminho.

Por aqui, por aqui, por aqui...

A escolha selou o destino!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Concrecoisa Eclesiastes


As palavras do Eclesiastes ensinam ao longo dos séculos.

Elas dizem muito mais do que se possa imaginar.

A vaidade, por exemplo, é mar que inunda a fraqueza d’alma.

Deixar o mar da vaidade secar é capacidade de poucos, de pouquíssimos.

A vaidade não comporta na vaidade, por ser vaidade.

A vaidade, por outro lado, quer se libertar de si.

Segredos que são ditos sem dizer: interpretações.

O Eclesiastes também fala do tempo de cada coisa.

Esse tempo de cada coisa é senhor de tudo.

Pois existe sempre um tempo para as infinitas circunstâncias.

O segredo, então, é saber esperar esse tempo.

E no agora, o segredo é viver em paz e com total proteção das forças superiores.

Feliz 2017 a todos, especialmente você que curte a concrecoisa!