sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Concrecoisa Verboroso



Ele falava muito...

Pelos olhos.

Pelos ouvidos.

Pelos poros.

Pelos gestos.

E também no agir dos outros.

Sua boca era um vulcão e a lava o discurso em si.

Palavras, palavras, palavras...

Seu discurso mistificava as massas.

Mas ele morreu.

Chegou o silêncio.

Agora o vento joga poeira em sua lápide.

E a frase “Aqui jaz um loquaz” vai aos poucos desaparecendo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Concrecoisa Índio Astronauta



O espaço infinito era um eterno convite para o Índio Astronauta viajar pelo desconhecido.

O mar de lágrimas chamava-o para pescar corações de paixões errantes.

Entre o espaço infinito e o mar de lágrimas, o Índio Astronauta tocava na sua flauta mágica a música da liberdade.

E bebia vinho tinto na taça de Dionísio.

Certo dia, cansado da rotina, resolveu adormecer nos braços de Morfeu.

E se entregou...

Desde então, a realidade vestiu o manto da fantasia.

E o Índio Astronauta, em metamorfose, aproveitou para sempre o sonho da esperança.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Concrecoisa Amatração



O sol atraiu a lua.

O vento atraiu a nuvem.

A onda do mar atraiu a areia da praia.

A vogal atraiu a consoante.

A gravidade da Terra atraiu a massa.

O verbo atraiu a ação.

O núcleo do átomo atraiu o elétron.

A luz atraiu a cor.

O dedo atraiu o anel

O óvulo atraiu o espermatozoide.

O poeta atraiu o verso.

O músico atraiu o som.

Buda atraiu a meditação.

Jesus atraiu o renascimento.

A paz atraiu a esperança.

E depois de tudo, a atração fez-se amor!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Concrecoisa Tempestade de lágrimas



Chove lágrimas.

Só lágrimas.

Dos meus olhos.

Dos teus olhos.

Dos olhos dos outros.

E depois de tanto choro.

A terra, o ar e o mar amanheceram inundados.

Cessada a tempestade de lágrimas.

As caravelas do amor voltaram a navegar em liberdade.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Concrecoisa Discórdia



Caim matou Abel.

Conta a Bíblia.

A rixa entre os homens mora no passado, desde sempre.

Hoje, a desavença ferve em Pindorama.

Tudo por causa do poder.

Caim renasceu.

E passou a amar Abel.

São os ecos da Era de Aquário.

O amor venceu.

A felicidade vingou-se do poder.

E Pindorama viveu novamente em paz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Concrecoisa Tolices



Tudo começou quando Zion chegou ao poder.

Ele impôs que todos olhassem o mundo como costumava olhar.

E todos obedeceram.

Os anos passaram.

Nasceu Noiz, um ser diferente dos demais.

Noiz cresceu e quis olhar o mundo de outra forma.

Passou a ser perseguido.

Sua luta contra a tolice do radicalismo era diária, pois todos agiam igual a Zion.

O radicalismo já estava incorporado naquela sociedade opressora.

Nasceram outros Noiz.

O radicalismo aumentou.

Depois de 40 anos no poder, Zion morreu.

Os milhares de Noiz comemoraram, pois sabiam que a tolice do radicalismo estava sepultada.

E a bandeira da esperança voltou a tremular naquele país arruinado pelo retrocesso.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Concrecoisa Por onde ir?



Caiu num labirinto como um meteorito que cai na terra.

E não sabia como sair desse lugar.

Arriscou ao caminhar por um lado.

Depois foi por outro caminho.

E assim foi tentando, tentando, tentando...

Certo dia, por instinto e já cansado das tentativas frustradas, seguiu o caminho traçado pelo vento que corria por um dos corredores do labirinto.

E quando menos esperou, já estava em liberdade.

Aquele vento que assobiava a frase “a saída é aqui ao lado”, na verdade, era a chave para encontrar a liberdade em qualquer situação.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Concrecoisa Guisa



Encontrou a paz sozinho.

Abraçou o vazio da solidão.

Comeu feijão com farinha e carne seca com as mãos.

Beijou os inimigos.

Jogou fora os sapatos novos.

Tocou fogo nos documentos que tinha.

Estudou a mistificação das massas pela propaganda política para não ser mais um imbecil.

Foi sempre assim...

Sempre à maneira de seu instinto.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Concrecoisa Wittgenstein



Ela falou o que não sabia.

Ele repetiu o que não sabia.

Ela replicou.

Ele também.

Todos acabaram falando aquilo que não sabiam.

Certo dia, alguém calou.

Calou sobre o que não sabia.

Ela resolveu calar.

Ele também.

Os demais acompanharam o silêncio dos pares.

Depois do ocorrido, o sereno da noite abraçou a filosofia.

E a lógica encontrou a razão no silêncio do infinito.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Concrecoisa Louco solto


Ele era louco.

Ele estava solto.

Ouço ele falar.

Pouco fala o louco.

Um louco solto.

Ouço o último louco.

Todos loucos.

Todos soltos.

Ouço todos.

Silêncio!