Concrecoisa é imagem, é palavra, é ideia, é filosofia, é ciência, é César Rasec, é qualquer coisa. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é a concrecoisa. rasec1963@gmail.com Direitos reservados e protegidos por lei. Uso de imagem e texto só com a autorização, por escrito, deste autor.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Concrecoisa Pé no chão
O chão frio sofria com a queda brusca da temperatura.
A casa onde morava estava longe, muito longe.
O inverno chegou castigando.
E a chuva cuspia lanças d'água na sua pele ressecada.
Ele sabia que tinha que continuar a caminhada.
Faltando mais da metade do caminho para chegar ao destino, sentiu o solado do velho sapato, do pé esquerdo, descolar.
E por lá ficou, numa curva da estrada molhada.
A caminhada longa parecia não ter fim.
Não desistiu.
Quando chegou em sua casinha de madeira, abraçou a cama como se fosse o paraíso.
No dia seguinte, com o sol chamando para sorrir, teve a certeza que viver é sentir o beijo da sola do pé no chão.
Desde então, passou a andar descalço.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Concrecoisa Sorte
Aquele dia estava cinza e chovia bastante.
Um estampido assustou-a.
Ela se abaixou rapidamente.
A bala passou perto.
Foi mais um susto!
Com muito sacrifício, conseguiu chegar em casa para abraçar os filhos e recarregar as baterias para a batalha do dia seguinte.
As dificuldade aumentavam.
Porém, ela não se entregava.
Cada dia vencido era uma subida ao pódio do sucesso interior.
Os anos passaram.
Os filhos cresceram e voaram para a vida.
Ela continuava a sua rotina como uma fortaleza.
Sua palavra mágica era perseverança.
E num dia cinza e chuvoso, resolveu arriscar na loteria.
Acertou com uma aposta mínima.
Sozinha, rindo sem esquecer da perseverança, entendeu que a sorte era ela e não os números sorteados.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Aquela pessoa vivia no limite extremo entre o certo e o errado.
No seu entendimento, o certo poderia ser algo errado e o errado poderia ser algo certo.
Entre erros e acertos, o tempo vivido ganhava uma nova página nas lembranças que poderiam ser contadas.
Sempre que acertava alguma coisa, essa pessoa achava que errava.
O oposto era também uma realidade, pois a sua forma de encarar a vida não tinha referência.
Um certo dia, um conhecido quis interferir na sua forma de viver.
E começou a falar o que era para fazer.
Aceitou a sugestão.
E fez tudo ao contrário.
O seu sim, concordo, foi um não, rejeito.
Assim, viveu feliz no seu mundo particular e que era um abismo para os outros.
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Luz do amanhã
A igreja estava vazia.
Ele entrou e rezou em silêncio.
Depois acendeu várias velas.
Era a sua rotina.
As luzes eram caminhos para atingir o mundo superior.
E neste mundo superior, ele superava os desafios da vida.
E atingia, por instantes, a eternidade e uma paz infinita.
Era o necessário para fazer a roda da vida girar.
As luzes do amanhã foram riquezas reconquistadas com humildade, amor e esperança.
Ele entrou e rezou em silêncio.
Depois acendeu várias velas.
Era a sua rotina.
As luzes eram caminhos para atingir o mundo superior.
E neste mundo superior, ele superava os desafios da vida.
E atingia, por instantes, a eternidade e uma paz infinita.
Era o necessário para fazer a roda da vida girar.
As luzes do amanhã foram riquezas reconquistadas com humildade, amor e esperança.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Concrecoisa Pedra
Atirou a primeira pedra.
Atirou a segunda pedra.
Atirou a terceira pedra.
Depois foi embora.
Repetiu a ação por anos, diariamente, com chuva ou sol.
Quando percebeu que a pedra não falava, ficou sem chão.
O seu horizonte mergulhou num abismo invisível.
O silêncio ficou insuportável.
E o seu corpo virou pedra para ser
arremessada no vazio que restava da vida.
sexta-feira, 12 de julho de 2019
Concrecoisa Amolar
Eu era criança e ficava impressionado com a habilidade do
amolador de objetos cortantes.
Ele soprava um apito que parecia uma pequena gaita.
Aquele som era um chamamento para as donas de casa.
A sonoridade era inconfundível.
E a máquina de amolar era feita com uma roda de bicicleta.
O esmeril desgastado queria abraçar a eternidade.
Em funcionamento, as faíscas liberadas durante a afiação dos objetos cortantes pareciam diminutas
estrelas cadentes.
Era encantador!
Hoje, o amolador de rua é lembrança.
E novos amoladores surgem deixando
egos e verbos afiados para enfrentar a imprecisão da vida.
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Concrecoisa Realinada
A realidade está ali diante de
todos.
O nada também está ali, acocorado.
A realidade é uma certeza que emerge
a todo instante, em cada circunstância.
O nada é uma realidade, uma
resposta da equação do desenlace da vida.
Tudo cai na realinada, pois o
nada possível é certeza!
Assim corre
a vida.
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Concrecoisa Viver é tolerar
O dia nasceu cinza.
E o clarão da manhã tolerou a mudança da cor do céu naquele dia de verão que era para ser colorido.
E no inverno, o dia acordou multicor.
E o cinza tolerou a explosão das cores festivas.
Feliz em si por saber tolerar, a natureza hasteou a bandeira da convivência pacífica.
E a esperança mostrou que viver é tolerar.
Assim, o mundo melhorou para todos.
E a intolerância deixou de existir para sempre.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Concrecoisa Planar
Absurdo, nasceu o ser humano!
O seu choro
matou o silêncio
A desordem
amordaçou a ordem
E o vento
soprou a gaivota de aço
Absurdo suspenso
no ar!
E o tempo
em silêncio
Viu quase
tudo passar
Menos esse
tal absurdo
Que reina
incontrolável
Na saga da revolta da
vida
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Concrecoisa Crença
A felicidade estava ali, diante dos olhos dele, mas ele não enxergava.
E o tempo foi passando...
Se por um lado não lhe faltava dinheiro, pois tinha ficado rico, por outro lado ele sabia que aquela fortuna não era tudo.
Faltava a felicidade.
Uma angústia interior só aumentava.
E o tempo foi passando.
Sem achar a lata da felicidade na prateleira do supermercado, chorou como uma criança mimada.
E o tempo foi passando.
Quando desencarnou, ainda não tinha achado a felicidade.
O que ele buscava, na verdade, estava dentro de si.
A felicidade adormecia na riqueza que brota sutilmente na infinitude das coisas simples.
Estava no respirar e no ouvir o mistério do silêncio.
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