quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Concrecoisa Microconto VI

 

Aquela pessoa falou em tom de saudade:

– Espere a chuva passar, entre.

Mas a pressa da vida com os compromissos sociais, com o trabalho, com o ter que dar satisfação e com a obediência às leis comandava o destino da outra pessoa, que respondeu também em tom de saudade:

– Lamento, tenho que partir, foram sete dias intensos.

E sem querer decidir o que a outra pessoa escolheu para si, retrucou baixinho:

– Adeus, foi tudo muito lindo!

Assim terminou o encontro apaixonado marcado pela chuva.

No fim da tarde, a chuva lavou o que estava escrito com carvão, no passeio, onde ocorreu o encontro. 

E a saudade foi fixar residência nas memórias de outras pessoas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto V

Quando a sombra passou, aquele ser humano não estava vivo.

E as angústias que foram criadas nos muitos anos de vida acabaram derretendo como as asas de Ícaro.

E os milhões para garantir uma vida econômica tranquila serviram apenas para enriquecer o sistema de governo.

Quem sofreu com o destino daquela pessoa sem corpo, sem sentimento elevado, foi a última carne que recebeu pelo prazer oferecido.

E não era amor. Jamais!

Assim tudo passou…

Restou o ponto final na lápide de mármore. 

E as flores de plástico aguardam as camadas de tinta spray para voltar a ter as cores vivas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Concrecoisa IV

 


Perseverantes!

Aquelas pessoas nunca desistiram.

Os espinhos não foram suficientes para silenciar os passos.

Sempre, ao nascer do dia, o sol convidava para uma nova jornada.

E as flores celebravam o renascer.  

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto III

 


A dura realidade que emoldura o envelhecimento marca o microconto desta semana.

A dor castiga!

Mesmo assim, o ser humano vem conseguindo viver por mais tempo com os avanços da medicina e da farmacologia.

A utopia da vida eterna, porém, sofre abalo quando as flores do adeus são lançadas sobre um caixão em mergulho no chão cavado.

E o que foi vivido adormece nos registros em livros, áudios e filmes e nas memórias dos que ficaram.

As flores murcharam…

E o tempo desfaz sem piedade o novelo de lã da vida.

Assim ele mostra que a vida é muito rápida, mesmo com tanta ciência.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto II

 

O microconto publicado na concrecoisa desta sexta-feira, dia 10, foi escrito em 30 de abril de 2010.

Onze anos se passaram e tudo permanece atual, pulsante.

A imagem atua como moldura da narrativa.

Os elementos da narrativa estão nela.

Está tudo em sintonia e em harmonia.

O sol também está presente na imagem. É ele que vai nos levantar para enfrentar as adversidades da vida.

A vela da vida de cada um ainda tem muito para queimar!

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Concrecoisa Microconto I

 

A partir desta sexta-feira (03-09-2021), estarei publicando uma série intitulada Microconto.

Os microcontos foram escritos há algum tempo. 

Encontrei-os por acaso arrumando uma caixa com vários papéis.

Este primeiro microconto que agora vira concrecoisa, no original, foi escrito em 13 de abril de 2010.

Era assim: “Venha Dora, a vida nos espera. O ar sopra, em amor, os filhos. Anos passados, as flores vestem o eterno descanso dos amantes já velhinhos”.

Para o tema ficar mais amplo e, sobretudo, aberto às viagens mentais de cada um, fiz ajustes na ficção que tinha que ter 140 toques, como era o padrão do Twitter.

Os microcontos foram pensados para serem publicados no Twitter.

Muitos dos microcontos se vestem de microaforismos.

É isso!

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Concrecoisa Vivenciar

 


Viveu sem ar

Até nascer

Quando foi apresentado ao mundo

O ar doeu, ao beijar, os seus pulmões

Desde então

Tudo se resumiu em

Respirar

Expirar

Respirar

Expirar

Pois tudo virou ar

Um ar cataventado

E uma mostra que

Se é ar

É vivenciar

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Concrecoisa Descaminho

 

O caminho estava traçado desde o começo de tudo.

Todos seguiam felizes.

Alguém pegou uma outra rota.

Foi pelo descaminho.

Chegou num lugar desconhecido.

Viu que aquele lugar era bom.

Ficou ali por anos até caminhar pelo velho caminho.

E foi seguindo, seguindo...

Até chegar onde deveria ter chegado.

Viu que ali era pior do que o outro lugar.

Sentiu que o descaminho foi a sua alegria perdida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Concrecoisa Lixo

Tudo é lixo

E o que não é

Um dia será.


Basta ver 

A caminhada

Do mal

Na história

Da humanidade.


O lixo

Não se cansa

De ser produzido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Concrecoisa Sereno

 

O sereno caiu

Molhou o chão

E aquela pessoa serena

Que assistiu

Em sossego

Celebrou

Porque o sereno

Encontrou para amar

Um ser sereno

E o sereno caiu novamente

Para nunca deixar de molhar

A esperança