sexta-feira, 25 de maio de 2012

Concrecoisa Esperança na Janela


A vã esperança engana o homem.
A esperança é o pão dos infelizes.
A esperança é o sonho do homem acordado.
Quem tem esperança dança sem música.
De esperança se vive até a morte.
Em esperanças se gastam vidas.
A esperança, como se vê nos provérbios citados acima, faz parte de nossa vida desde sempre, desde o começo de tudo.
Aqui, esperança é combustível para reflexão, para guiar os passos que poderão ser dados quando nos encontramos em situação de aflição.
Assim, a Concrecoisa Esperança na Janela ganha dimensões visual, poética e filosófica, pois sintetiza infinitos enunciados que podem surgir sobre a coisa da esperança em si.
O incrível é que a esperança, o inseto, está na janela e ficar na janela significa estar no lugar onde é possível assistir a vida passar e também sair em liberdade.
A janela é o cinema vivo que passa do outro lado de um mundo de dentro.
O título desta concrecoisa foi dado por uma colega de pós-graduação em Letras, quando lhe mostrei a foto tirada naquele instante e apontei-lhe a esperança (o inseto) na janela.

Do outro lado
pela janela
Esperança, vidro...
...esperança


Acho o máximo o resultado estético desta concrecoisa, além da significação e ressignificação do que está sendo dito e visualizado.
Como a esperança é a última que morre, o vidro da janela da vida pode a qualquer momento estilhaçar, fazendo voar a esperança que mora dentro de nós.
O resultado é a felicidade, nada mais!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Concrecoisa Amor-alimento


O amor sempre surge do nada, aqui na Concrecoisa.
Mais uma vez, essa energia divina saiu das profundezas do silêncio de d’alma.
Não por acaso, talvez, fico a pensar, às vezes, que o amor é o alimento da vida.
Fico a pensar, às vezes, não por acaso, talvez, que o amor é a presença de Deus.
As situações do amor são coisas concrecoisadas em fluxos de luzes que geram oásis de esperança.
Nunca fora de moda, o amor abala as estruturas quando se junta à paixão.
Amor-paixão é bomba atômica explodindo todas as certezas.
E Deus, fico a pensar, não por acaso, talvez, às vezes, é o sinônimo perfeito da palavra amor.
Se não for, não ficarei a pensar, logo mais...
É isso!
A revelação da vida, mais uma vez, é o amor.
E feliz é quem tem esta densa palavra dentro de si, como o próprio amor, aqui na Concrecoisa, onde as letras “m”, “o” e “r” estão dentro da letra “a”.
Não por caso, o amor concrecoisa-se.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Concrecoisa Virá


O nada virá do nada, pois o nada é o local mais intenso do devir.
O nada, por tantas e tantas coisas que circulam em si, é o tudo também, sendo desde sempre um espaço determinante das transas astrais.
O nada, por ser tão denso, assusta. É o virar de alguma coisa.
As escrituras mostram que o surgimento da luz acontece no nada.
Neste nada, brota a vida e Deus sorri.
Deus é tudo e o tudo é o virá da vida. É o virar de algo divino.
Poderia ficar, aqui nesta Concrecoisa, assinalando estas coisas tão intrigantes, tão densas, tão profundas e tão misteriosas.

Virá do nada
do nada...
Virar em nada
em nada...

Assim é a síntese da compaixão que amálgama corações e mentes!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Concrecoisa Recado


A vida ensina.
Aprender, só com o passar do tempo.
Certo aprendizado, em algumas pessoas, só bate à porta tardiamente.
Li o recado da vida, na porta 48, que dizia:

Nunca espere
Alguém fazer
Por você
Se esperar
A decepção
Lhe dará
Bom dia!!!

Fotografei o recado, agora concrecoisado.
Claro...
A decepção está em você, não no outro, que tem sua própria decepção.
E o alguém, o outro, acaba sendo professor desta aula da vida.
Deve ter aprendido bem cedo e ensina direitinho o que diz o recado.
Nunca espere. Faça!
O outro é o tempo traduzido em decepção.
E a vida segue...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Concrecoisa Fechadura


O mundo é um buraco.
Dentro do mundo, outros buracos nos rodeiam.
Na porta, o buraco da fechadura representa a privacidade.
É um mundo separado por paredes e infinitas angústias.
As coisas acontecem pelo buraco da fechadura. Segredos!
Em Brasília, a rapinagem corre solta pelo buraco da fechadura.
E pelo buraco da fechadura, a tortura fez vítimas.
Hoje estes infelizes vivem com grana, presente dos cofres públicos.
Foi o troco da opção ideológica. Valeu a pena ser utópico, valeu a pena ser buraco.
Pelo buraco da fechadura o rock pulsa nas entranhas d’alma.
O grito ecoa pelo buraco.
Um buraco, nada mais, ou melhor, atitude.
Copiando Carlos Drummond de Andrade, mudando pedra por buraco, lá vai a mimese do verso famoso.

No meio do mundo tinha um buraco.
tinha um buraco no meio do caminho
tinha um buraco
no meio do caminho tinha um buraco.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um buraco
tinha um buraco no meio do caminho
no meio do caminho tinha um buraco.

É isso!

O buraco da fechadura...
...é o olho do mundo

E tudo se resume ao buraco, onde vamos parar, depois de tudo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Concrecoisa Autobiografia

Como poderia falar de mim numa concrecoisa?
Eis que surge uma foto tirada por mim mesmo.
Trabalho-a em vários processos de tratamento de imagem envolvendo cores, filtros, ajustes de brilho e contraste e aplicação de fontes gráficas, manipulando, ao final, a imagem digital com a frase “A Concrecoisa sou eu”.
Já bastava para ser a Concrecoisa Autobiografia.
Mas senti que faltava alguma coisa.
Fui, então, pensar na forma da concrecoisa e em algo (palavra e frase) que pudesse completar as imagens (uma grande e duas pequenas).
Encontrei então a palavra “eu” como principal referência autobiográfica.
Depois surgiram duas frases que se completam. São elas:
Narrativa sintética é o eu” e “Imagem é o eu narrado num instante”.
Pronto! Organizei tudo.
Eis a Concrecoisa Autobiografia, que, em verdade, é um fragmento autobiográfico.
Como tantas e tantas coisas faltam para completar a minha autobiografia que não tem fim, fico neste ponto final, que é o começo de novos fragmentos desencadeados no galope do tempo.
E você, já começou a narrar a sua autobiografia?
Corra e conte por você mesmo sobre os mistérios desta ilusão que é contar o que viveu.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Concrecoisa Tic-tac


O tic-tac é o som da dor que um relógio sente ao contar o tempo que escorrega entre as engrenagens em movimento.
Refiro-me, aqui, ao tradicional relógio mecânico de corda.
Hoje, os relógios funcionam com baterias e o tic-tac praticamente não é escutado, mas a dor continua sendo a mesma e em silêncio.
O tic é o tempo que passou.
O tac é o agora; um tempo presente que sempre se reinventa em uma sombra do passado.
Nesta Concrecoisa, o relógio marca 6h15.
A noite vem caindo do espaço infinito sobre uma tarde em despedida.
Sempre que a noite chega, ela lança um véu de esperança sobre o dia que se apruma na alvorada seguinte.
E sempre será assim, tal qual o tic-tac dos relógios que contam o tempo, um tempo que muitos gostariam que parasse de correr.
Tic, o tempo passou.
Tac, o tempo é agora.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac....
E lá vou eu rumo ao tempo futuro com os meus cabelos tingidos de branco!