Concrecoisa é imagem, é palavra, é ideia, é filosofia, é ciência, é César Rasec, é qualquer coisa. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é a concrecoisa. rasec1963@gmail.com Direitos reservados e protegidos por lei. Uso de imagem e texto só com a autorização, por escrito, deste autor.
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Concrecoisa Medo do medo
Ele era corajoso, mais que demais.
Não temia ninguém, mesmo estando desarmado.
Assim, com tanta coragem, venceu todas as batalhas.
Na cidade grande, onde foi morar ao completar 18 anos, virou herói.
Por muito tempo, por conta dos seus feitos, viu estampar a sua imagem na primeira página dos principais jornais impressos.
A bandidagem tremia ao ouvir o seu nome.
Por conta da evolução tecnológica, virou celebridade no mundo digital e nos mais influentes portais noticiosos.
Ele era o cara, não um certo cara que virou bandido e acabou preso por causa da corrupção.
Quando completou 78 anos, confessou para o seu filho caçula um segredo que estava guardado a sete chaves.
E ele disse:
– Filho, meu único medo é ter medo do medo.
O filho deu a entender que não entendeu nada.
E o pai continuou:
– Você não precisava entender as minhas palavras, pois o medo é um mistério que vive no labirinto da mente de cada um.
O filho respondeu:
– Pai, eu entendi. Eu sou você desde o dia em que nasci!
E as lágrimas selaram aquele amor único entre pai e filho.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Concrecoisa Lúdico-lúcido
A alegria da infância permanecia.
E os anos chegaram...
Aquela alegria não findava.
E as rugas multiplicavam.
E mais alegria jorrava...
...naquela fonte de cabelos brancos.
E tudo era assistido pelo tempo lúcido.
Que era lúdico.
Desde sempre.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Concrecoisa Pé no chão
O chão frio sofria com a queda brusca da temperatura.
A casa onde morava estava longe, muito longe.
O inverno chegou castigando.
E a chuva cuspia lanças d'água na sua pele ressecada.
Ele sabia que tinha que continuar a caminhada.
Faltando mais da metade do caminho para chegar ao destino, sentiu o solado do velho sapato, do pé esquerdo, descolar.
E por lá ficou, numa curva da estrada molhada.
A caminhada longa parecia não ter fim.
Não desistiu.
Quando chegou em sua casinha de madeira, abraçou a cama como se fosse o paraíso.
No dia seguinte, com o sol chamando para sorrir, teve a certeza que viver é sentir o beijo da sola do pé no chão.
Desde então, passou a andar descalço.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Concrecoisa Sorte
Aquele dia estava cinza e chovia bastante.
Um estampido assustou-a.
Ela se abaixou rapidamente.
A bala passou perto.
Foi mais um susto!
Com muito sacrifício, conseguiu chegar em casa para abraçar os filhos e recarregar as baterias para a batalha do dia seguinte.
As dificuldade aumentavam.
Porém, ela não se entregava.
Cada dia vencido era uma subida ao pódio do sucesso interior.
Os anos passaram.
Os filhos cresceram e voaram para a vida.
Ela continuava a sua rotina como uma fortaleza.
Sua palavra mágica era perseverança.
E num dia cinza e chuvoso, resolveu arriscar na loteria.
Acertou com uma aposta mínima.
Sozinha, rindo sem esquecer da perseverança, entendeu que a sorte era ela e não os números sorteados.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Aquela pessoa vivia no limite extremo entre o certo e o errado.
No seu entendimento, o certo poderia ser algo errado e o errado poderia ser algo certo.
Entre erros e acertos, o tempo vivido ganhava uma nova página nas lembranças que poderiam ser contadas.
Sempre que acertava alguma coisa, essa pessoa achava que errava.
O oposto era também uma realidade, pois a sua forma de encarar a vida não tinha referência.
Um certo dia, um conhecido quis interferir na sua forma de viver.
E começou a falar o que era para fazer.
Aceitou a sugestão.
E fez tudo ao contrário.
O seu sim, concordo, foi um não, rejeito.
Assim, viveu feliz no seu mundo particular e que era um abismo para os outros.
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Luz do amanhã
A igreja estava vazia.
Ele entrou e rezou em silêncio.
Depois acendeu várias velas.
Era a sua rotina.
As luzes eram caminhos para atingir o mundo superior.
E neste mundo superior, ele superava os desafios da vida.
E atingia, por instantes, a eternidade e uma paz infinita.
Era o necessário para fazer a roda da vida girar.
As luzes do amanhã foram riquezas reconquistadas com humildade, amor e esperança.
Ele entrou e rezou em silêncio.
Depois acendeu várias velas.
Era a sua rotina.
As luzes eram caminhos para atingir o mundo superior.
E neste mundo superior, ele superava os desafios da vida.
E atingia, por instantes, a eternidade e uma paz infinita.
Era o necessário para fazer a roda da vida girar.
As luzes do amanhã foram riquezas reconquistadas com humildade, amor e esperança.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Concrecoisa Pedra
Atirou a primeira pedra.
Atirou a segunda pedra.
Atirou a terceira pedra.
Depois foi embora.
Repetiu a ação por anos, diariamente, com chuva ou sol.
Quando percebeu que a pedra não falava, ficou sem chão.
O seu horizonte mergulhou num abismo invisível.
O silêncio ficou insuportável.
E o seu corpo virou pedra para ser
arremessada no vazio que restava da vida.
sexta-feira, 12 de julho de 2019
Concrecoisa Amolar
Eu era criança e ficava impressionado com a habilidade do
amolador de objetos cortantes.
Ele soprava um apito que parecia uma pequena gaita.
Aquele som era um chamamento para as donas de casa.
A sonoridade era inconfundível.
E a máquina de amolar era feita com uma roda de bicicleta.
O esmeril desgastado queria abraçar a eternidade.
Em funcionamento, as faíscas liberadas durante a afiação dos objetos cortantes pareciam diminutas
estrelas cadentes.
Era encantador!
Hoje, o amolador de rua é lembrança.
E novos amoladores surgem deixando
egos e verbos afiados para enfrentar a imprecisão da vida.
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Concrecoisa Realinada
A realidade está ali diante de
todos.
O nada também está ali, acocorado.
A realidade é uma certeza que emerge
a todo instante, em cada circunstância.
O nada é uma realidade, uma
resposta da equação do desenlace da vida.
Tudo cai na realinada, pois o
nada possível é certeza!
Assim corre
a vida.
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Concrecoisa Viver é tolerar
O dia nasceu cinza.
E o clarão da manhã tolerou a mudança da cor do céu naquele dia de verão que era para ser colorido.
E no inverno, o dia acordou multicor.
E o cinza tolerou a explosão das cores festivas.
Feliz em si por saber tolerar, a natureza hasteou a bandeira da convivência pacífica.
E a esperança mostrou que viver é tolerar.
Assim, o mundo melhorou para todos.
E a intolerância deixou de existir para sempre.
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