sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Concrecoisa Trama do viver



Nasceu rico.

Os pais morreram.

Achou que o dinheiro nunca ia acabar.

E foi gastando, gastando...

Quando completou 33 anos, viu que estava pobre.

Pensou em se matar.

Desistiu. Era frouxo.

Sem um tostão, foi mendigar.

Quando completou 40 anos, redescobriu o sorriso.

Naquele momento, não ter nada era ter tudo.

E tudo estava entre o presente e o futuro.

Assim, a trama do viver fez o porvir germinar em esperança e em certeza de poder sorrir.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Concrecoisa Segredo do outro lado



A chave vivia triste.

Certo dia, encontrou a fechadura d’uma porta velha.

E aceitou o convite para entrar naquele segredo.

Porém, continuou triste.

Do outro lado só tinha escuridão.

E foi embora...

Outra fechadura apareceu no seu caminho.

E abriu essa outra porta.

Mais uma vez, a tristeza não dissipou.

E seguiu nessa jornada de abrir e fechar portas.

Depois de muito tempo, já bem desgastada, a chave entendeu que a felicidade não estava no que havia do outro lado da fechadura, do outro lado da porta.

A felicidade estava no viver o estado de chave e não no abrir as cavernas dos dissabores que podem existir do outro lado de uma porta.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Concrecoisa Cochicho



A pedra mudou o destino da humanidade.

Foi instrumento de trabalho, pavimentou estradas e edificou cidades.

Com o tempo, erodiu.

A erosão virou o seu pranto.

Por causa desse pranto, as pedras no caminho passaram a cochichar todos os dias.

E foi vivendo...

E nesse viver, tem quem diga que o mármore está sentindo frio.

Tem granito que reclama do calor.

E tem as pedras mágicas, que são aquelas que viraram gente.

Por outro lado, tem gente que virou pedra.

E quem foi que virou pedra?

Não posso dizer, pois viver a coisa da matéria é castigo diante da grandeza d’alma.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Concrecoisa Paixão abissal



O amor

Fruto da paixão

Fez a luz

Adormecer

Na zona abissal

Que separa

O desejo

De ter

Para sempre

A metade

De mim

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Concrecoisa Verboroso



Ele falava muito...

Pelos olhos.

Pelos ouvidos.

Pelos poros.

Pelos gestos.

E também no agir dos outros.

Sua boca era um vulcão e a lava o discurso em si.

Palavras, palavras, palavras...

Seu discurso mistificava as massas.

Mas ele morreu.

Chegou o silêncio.

Agora o vento joga poeira em sua lápide.

E a frase “Aqui jaz um loquaz” vai aos poucos desaparecendo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Concrecoisa Índio Astronauta



O espaço infinito era um eterno convite para o Índio Astronauta viajar pelo desconhecido.

O mar de lágrimas chamava-o para pescar corações de paixões errantes.

Entre o espaço infinito e o mar de lágrimas, o Índio Astronauta tocava na sua flauta mágica a música da liberdade.

E bebia vinho tinto na taça de Dionísio.

Certo dia, cansado da rotina, resolveu adormecer nos braços de Morfeu.

E se entregou...

Desde então, a realidade vestiu o manto da fantasia.

E o Índio Astronauta, em metamorfose, aproveitou para sempre o sonho da esperança.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Concrecoisa Amatração



O sol atraiu a lua.

O vento atraiu a nuvem.

A onda do mar atraiu a areia da praia.

A vogal atraiu a consoante.

A gravidade da Terra atraiu a massa.

O verbo atraiu a ação.

O núcleo do átomo atraiu o elétron.

A luz atraiu a cor.

O dedo atraiu o anel

O óvulo atraiu o espermatozoide.

O poeta atraiu o verso.

O músico atraiu o som.

Buda atraiu a meditação.

Jesus atraiu o renascimento.

A paz atraiu a esperança.

E depois de tudo, a atração fez-se amor!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Concrecoisa Tempestade de lágrimas



Chove lágrimas.

Só lágrimas.

Dos meus olhos.

Dos teus olhos.

Dos olhos dos outros.

E depois de tanto choro.

A terra, o ar e o mar amanheceram inundados.

Cessada a tempestade de lágrimas.

As caravelas do amor voltaram a navegar em liberdade.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Concrecoisa Discórdia



Caim matou Abel.

Conta a Bíblia.

A rixa entre os homens mora no passado, desde sempre.

Hoje, a desavença ferve em Pindorama.

Tudo por causa do poder.

Caim renasceu.

E passou a amar Abel.

São os ecos da Era de Aquário.

O amor venceu.

A felicidade vingou-se do poder.

E Pindorama viveu novamente em paz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Concrecoisa Tolices



Tudo começou quando Zion chegou ao poder.

Ele impôs que todos olhassem o mundo como costumava olhar.

E todos obedeceram.

Os anos passaram.

Nasceu Noiz, um ser diferente dos demais.

Noiz cresceu e quis olhar o mundo de outra forma.

Passou a ser perseguido.

Sua luta contra a tolice do radicalismo era diária, pois todos agiam igual a Zion.

O radicalismo já estava incorporado naquela sociedade opressora.

Nasceram outros Noiz.

O radicalismo aumentou.

Depois de 40 anos no poder, Zion morreu.

Os milhares de Noiz comemoraram, pois sabiam que a tolice do radicalismo estava sepultada.

E a bandeira da esperança voltou a tremular naquele país arruinado pelo retrocesso.