sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Concrecoisa Sombranjo

 


A sombra me segue em silêncio,

confidente muda de cada passo,

abraço feito de ausência e luz.


Na solidão, ela é quem escuta,

os murmúrios de um coração vazio,

e dança comigo no compasso do vento.


Anjo sem asas, fiel companheira,

estende seus braços longos na estrada,

guardando meus passos com zelo invisível.


Não questiona, não julga, só está,

presença certa no dia ou na noite,

ecoando a alma que ninguém vê.


É ela que me lembra: não estou só,

mesmo na ausência do mundo à volta,

há sempre uma sombra que vela por mim.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Concrecoisa Às vezes

Às vezes, 

no compasso

 irregular do coração, 

a vida pulsa 

como um improviso

de luz e sombra, 

lembrando-nos 

que o imprevisível 

é sua essência

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Concrecoisa Sem lembrar


Esquecer

é uma dádiva

disfarçada:

ao apagar

o peso

do que foi ruim,

abrimos espaço

para que

a leveza

do presente

floresça

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Concrecoisa Facafiada


A lâmina afiada

corta

 não apenas a matéria

mas também

os sonhos 

e esperanças

pois sua precisão

é tão fria

quanto sua indiferença

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Concrecoisa Fuga


Fugir do tempo é correr sem fôlego, enquanto o instante se desfaz em poeira de eternidade.

Fugir do vento é velejar sem velas, buscando o horizonte que jamais se deixa tocar.

Fugir da razão é navegar sem mapas, perdido entre estrelas que tecem enigmas.

Fugir da fuga é aceitar o labirinto, pois cada curva só revela o mesmo chão de ontem.

No final das fugas, o ciclo fecha-se em um círculo imenso, desconhecido e incontrolado.

E tudo o que resta é a calma conformidade do que se repete, onde a ilusão de ser livre sucumbe ao inevitável, e o tempo, sempre mestre, sorri em sua prisão infinita.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Concrecoisa Palmo a palmo


A jornada daquela pessoa só estava começando.

A cavalgada seria longa.

E a calma era a sua vibração.

Foi cavalgando pela estrada da vida, ficando calvo.

Continuava calmo.

Nas paradas para ganhar mais força, lia um salmo.

Foi sempre assim, palmo a palmo, cavalgando numa jornada feliz e sem ter fim.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Concrecoisa Vermendatidera


É verdade!

Não, é mentira!

É mentira!

Não, é verdade!

...

A confusão está criada.

Mentira e verdade são o que são e avançam para dominar as mentes.

Cada uma com a sua forma de existir, de agir.

E depois da guerra de narrativas, a mistura da verdade com a mentira já está processada, ou não.

E a vermendatidera chega para amplificar a confusão.

Na mesma toada, a mentira acaba sendo sendo chamada de verdade e a verdade de mentira.

São coisas dos tempos loucos, dizem os céticos.

É verdade!

É mentira!

Não, é vermendatidera!

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Concrecoisa Nada na madrugada


Na passagem da madrugada, o nada sussurra segredos que ninguém mais escuta. 

É quando o silêncio se alonga em sombras, e o tempo parece ter esquecido o caminho. 

E quando chega mais um dia, acordando a madrugada, a vida enrugada segue em disparada, tropeçando na pressa de existir. 

O nada então se dissolve, tímido, enquanto a madrugada desiste de guardar o mistério que carregava.

Na dança entre a escuridão e a luz, permanece a lembrança: o nada é um espelho onde a alma se olha, mas nunca se vê inteira.

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Concrecoisa Tudo acabou bem


A vida, em suas passagens imprevisíveis, às vezes nos lança ao abismo.

E o que se quis é esquecido no eco do que a alma diz.
 
Mas há força no silêncio que aprende a dizer sem dizer.

E o tempo, sem dó e sem piedade, esculpe nossos dias. 

No final, a tempestade cede, a dor amadurece, e o que parecia perdido floresce. 

Assim, o destino, astuto e sábio, mostra que tudo, mesmo o que se parte, um dia se ajeita.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Concrecoisa Rutilar


Rutilar é resplender no silêncio do universo, como uma estrela que surge no breu, delicada e intensa. 

E, quando resplandece uma luz que é o brilho do amor, essa claridade dissolve sombras antigas e revela caminhos antes ocultos. 

É um fulgor que se espalha por entre os gestos e palavras, cintilando nas entrelinhas de um encontro.

Na simplicidade do olhar, o amor transforma cada instante em eternidade, um brilho que não ofusca, mas ilumina. 

É nessa luz suave e persistente que a alma encontra refúgio e renova o pulsar da vida.