sexta-feira, 10 de abril de 2015

Concrecoisa Oceano


O oceano cabe numa gota d’água.

Tem quem não acredite.

E ainda diz que é conversa de maluco.

Mas distante de tudo.

Distante do que está perto do nariz.

Lá no espaço.

A Terra é a gota do oceano.

E se é a gota do oceano.

É a gota d’água.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Concrecoisa Escuridão


No caos do começo de tudo.

A escuridão forjou a luz, numa explosão em si.

Já que a escuridão era Deus.

A luz não existia.

Quando a luz surgiu.

Deus passou a ser a própria luz.

E a escuridão chorou em silêncio.

Um silêncio eterno que passou a ser e que se mostra nas frestas das coisas.

E nas frestas das coisas, a luz esconde o Deus que a escuridão um dia foi.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Concrecoisa Esses


Os rios andam aos esses.

Aos esses também andam os bêbados, que buscam, talvez, equilíbrio no vazio da consciência.

A cobra também se desloca aos esses.

E com os esses pra lá e pra cá, lanço a minha escrita ziguezagueada.

No meio do ziguezague vejo que o tecido leve e ralo é a pele do osso.

Observo que o osso frouxo e bambo é o esqueleto.

Constato que o nosso passo é a ação, que é o movimento dos esses na estrada da vida.

Aqui não tem os “e$$e$” das cifras fáceis da nefasta “corrup$$ão” que corrói o Brasil.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Concrecoisa Na sombra

A sombra não estava diante de mim. Ela estava no meu subconsciente.

Diante de mim só havia a luz, uma luz de um dia em começo de adormecimento.

A cena acontecia dentro do estúdio do amigo e parceiro musical Luiz Caldas.

A luz elegante passava pela persiana.

Num lance intuitivo, um insight, vi naquela luz a possibilidade de fazer a foto da sombra da minha mão.

Então, coloquei a minha mão para bloquear a luz do sol em processo veloz de despedida do dia.

E lá estava na parede a sombra que já estava no meu subconsciente.

Com o iPhone, comecei a fotografar aquela sombra única.

Uma concrecoisa estava nascendo ali.

Mostrei a foto para Luiz Caldas, que gostou e disse algo assim: "A sombra não deixa na mão".

Gostei do que fora dito e escrevi no bloco de nota do iPhone a minha interpretação. 

Digitei: "Minha sombra nunca me deixa na mão".

Assim nasceu a “Concrecoisa Na sombra” que agora pertence a todos vocês!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Concrecoisa Escolha

A vida é escolha.

Todas as possibilidades existem na escolha, como até a de não escolher.

Saber escolher tem um preço.

Pois a vida tem um preço por conta da ação, por conta da escolha.

Assim é o caminho que cada ser vivo traça.

Este, isto, esse e isto: escolhas próximas e distantes.

E em cada escolha, um rumo seguido.

Tem escolha que vem carregada de instinto.

Como é a escolha do escorpião, que sempre está pronto para lançar o seu ferrão envenenado.

Ele ferra quem quer que seja.

Pois ele, o escorpião, se nutre do instinto que a natureza lhe reservou.

Cuidado com a escolha.

Um escorpião sempre está por perto.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Concrecoisa Amolar

Era uma vez um amolador.

Ele passava pelas ruas cantando o seu ofício.

– Olhaê o amoleiro!

– Amolo faca.

– Amolo tesoura.

– Amolo canivete.

– Amolo facão.

– Amolo tudo.

Um poeta atento ao movimento escutou o canto-trabalho do amolador e gostou.

No dia seguinte, com lápis e folha de papel, saiu cantando pelas ruas.

– Olhaê o poeta amolador!

– Tô aqui pra amolar.

– Amolar a faca.

– Amolar a face.

– Amolar o ego.

– Amolar o prego.

– Amolar o verbo.

Ao ver a cena, o amolador oficial não perdeu tempo.

Entregou ao poeta as páginas em branco da vida para ganhar um verso.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Concrecoisa Aonde


Uma fenda na parede.

Não sei se saberei aonde ir, se eu for além!

Pois no caminho de espinho.

Uma fenda aparece como alternativa.

Talvez uma passagem para o não espinho.

Se é que existe não espinho na vida.

Mas a fenda existe.

E a possibilidade de atravessar a fenda aparece.

Do outro lado, o espinho talvez não seja tão afiado, tão pontiagudo.

Como é perfurante o espinho que ficou para trás.

A fenda é o não espinho.

Mesmo se o espinho seja a própria fenda.

E o outro lado é aonde vamos parar: uma possibilidade sempre aberta e cujo espinho é a esperança (espinho + esperança = espinherança).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Concrecoisa Gancho


O gancho sempre suspende alguma coisa.

Quando ele aparenta estar vazio, sem nada suspenso, ele está nos enganando, pois está suspendendo o ar.

Em síntese, o gancho representa a ação.

E se ele é ação, é verbo.

Se é verbo, é vida.

Daí eu digo na concrecoisa desta semana:

pesada ou leve, a vida

é suspensa

no gancho

da ação

É isso!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Concrecoisa Palma da mão


O mundo estava inscrito na palma da mão.

Desde sempre, desde o nascimento.

Até o último suspiro.

Tudo estava ali, marcado.

Na mão.

O mundo.

A força.

Os calos.

Tempos idos.

E a mão fez as marcas vencer a dor.

E a dor virou eco.

Um eco que é o último suspiro das inscrições na pele.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Concrecoisa Era


Era uma vez uma hera.

Era uma hera verde.

E várias heras cresceram no dorso do tempo.

A era fez a hera secar.

O verde virou cinza.

Já era!