sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Concrecoisa Agosto Chorou


Julho partiu despercebido...

As pedras estavam no mesmo lugar.

As folhas secas foram levadas pelo vento.

O retrato do tempo fugiu da velha moldura, talvez cárcere de uma beleza complementar.

Na cena retratada, a poeira escorria em lama.

Uma lama que passou a ser com o orvalho.

E no agosto findado.

O gosto do desgosto fez um rosto chorar.

E quando setembro chegou.

Trouxe consigo as flores risonhas da campina da vida.

Agosto passou, agosto chorou... 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Concrecoisa Espinhos


Caminhar na estrada da vida exige sabedoria.

Em certas situações, não andar é melhor do que seguir.

Mas para quem anda com os pés calçados, caminhar é o sentido do viver.

Assim, os espinhos encontrados naturalmente ou plantados por invejosos viram pétalas de rosas.

E os pés calçados asseguram o triunfo do viver.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Concrecoisa Tudo é tempo


Como do nada, na semana passada, fui tomado pela frase “a vida é uma maldade do tempo”.

Isso ficou na minha cuca, remoendo o pensar.

Quis esquecer, mas não fui capaz.

Resolvi dizer a frase em forma de concrecoisa.

E encontrei uma foto, tirada em 23 de junho de 2014, em Ituaçu, que sintetiza tudo.

Este senhor é o tempo acumulado.

Não sei se ainda está vivo.

Ele se chama, ou se chamava, Antonio da Silva Rocha (seu Toninho).

Nasceu em 17 de fevereiro de 1920.

Fazia cachaça, rapadura e melaço de açúcar.

O tempo não é doce, como o melaço.

O tempo é a vida que passa, passa com a maldade que nos faz chorar.

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Agradeço a todos que deram uma força e gostaram do livro Concrecoisa – Volume 1.

A edição está quase toda vendida.

Obrigado!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Concrecoisa, o livro

A Concrecoisa se materializa oficialmente em livro físico, em papel, nesta sexta-feira (16), dia de postagem semanal da concrecoisa.

Transformar o blog digital para o formato livro, todo colorido, com papel de alta qualidade e excelente impressão, vinha sendo pedido, há uns dois anos, por muitos leitores que acompanham este blog.

O objeto livro, que é parte do desejo de muitos humanos, agora é realidade possibilitada pela Editora Tecnomuseu, que acreditou no projeto, desde sempre, e já sinaliza positivamente para o lançamento do livro Concrecoisa - Volume 2, no ano que vem, com mais páginas e ainda os textos que acompanham as concrecoisas.

O momento é de imensa alegria, uma alegria que compartilho com todos que curtem as concrecoisas.

Transformar um blog com postagem verbovisual em livro é o mesmo que transformar a terra que veste o chão em vida.

Para a minha felicidade, com as primeiras notícias sobre o lançamento do livro, os pedidos por exemplares começaram a chegar no meu e-mail. A tiragem deve esgotar muito antes do imaginado.

Como a Concrecoisa nasceu com a vitalidade da verbovisualidade e é movida pelo desejo de ajudar a transformar o Brasil num país melhor, o papel impresso, o livro em si, é um combustível desse transformar.

Encerrando o papo, este livro que custa R$ 25 é o primeiro passo para outros passos que virão.

Como não dediquei o livro físico a ninguém, aqui no blog, agora, nesta postagem de lançamento, dedico-o a minha mãe Marilene Silva e às pessoas que semeiam o bem.

O livro Concrecoisa, em papel, é uma realidade. A imagem postada é a capa.

Até a sexta-feira que vem!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Concrecoisa Amo

O amor venceu o ódio, quando a palavra amo passou a ser parte de outras palavras em português.

Assim, o amor se fortificou na força da palavra.

E a esperança renasceu numa folha de papel em branco, virgem por natureza.

Por conta de tudo isso, Zé se declarou para Lu.

E disse:

Se amo, vamos.

Se não amo, separamos.

Como amo, casamos.

E foram felizes até o amor morrer na folha de papel, não mais virgem, que pegou fogo.

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Concrecoisa, o livro.

Será lançado aqui no blog, na próxima sexta-feira (16 de outubro), o livro Concrecoisa – Volume 1.

A obra sai pela Editora Tecnomuseu.

Nesta edição colorida, apresento uma seleção de 54 concrecoisas.

Aguardem!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Concrecoisa Totalitarismo


Lalu era pobre e trabalhava numa fábrica.

Um dia, num boteco, ouviu dos colegas que o mundo era dominado pela política.

No dia seguinte, ingressou numa agremiação partidária.

Aos poucos, dominou o método do convencimento para virar um líder.

Ficou mestre da oralidade e doutor em dar tapinhas nas costas.

Viu que tudo isso que aprendera na vida política era bem melhor do que apertar parafusos na fábrica.

Já líder em ascensão, aprendeu também que a ordem do discurso se resume em convencer as bases a partir de onde se profere o discurso.

E de convencimento em convencimento, chegou aos milhões.

O poder foi conquistado.

Quis ficar nele até o último suspiro.

Amplificou os métodos de convencimento com a estrutura do estado.

Aparelhou todas as camadas sociais e, sobretudo, os poderes legislativo e judiciário.

Anos depois, o revoltoso Leco mostrou que tudo aquilo era uma farsa.

Lalu que não é besta, caiu fora do país e foi viver nababescamente.

E Leco passou a ser o cara, o novo totalitarista naquele país deplorável.

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Em tempo.

Acaba de sair pela Editora Tecnomuseu o livro Concrecoisa – Volume 1, que será lançado aqui no blog em 16 de outubro.

Neste primeiro volume foram selecionadas 54 concrecoisas.

Para a minha imensa felicidade, a concrecoisa agora também pertencerá ao mundo dos livros.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Concrecoisa Grão a grão


O tema da concrecoisa ia ser Estramor.

Porque acordei com um pensamento resumido em frase, assim:

“Na estrada da vida, o amor nos leva ao longe”.

Estramor é a estrada do amor.

Comecei a fazer a concrecoisa com uma estrada de ferro guiando a frase.

Depois de estudar várias combinações, surgiu outra possibilidade a partir de um novo pensamento também transformado em frase, que diz:

“A vida escorrega como a areia na ampulheta”.

Foi o suficiente para abortar o Estramor.

E assim vamos escorregando, grão a grão, rumo ao desconhecido.

Isso é uma faceta da concrecoisa, destino incerto do escorregar do grão da vida.

Nada mais do que isso!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Concrecoisa Derramamento


Manhã chuvosa em Salvador.

A chuva beija o asfalto molhado, frio e liso.

O Centro da Cidade chora com o vazio humano.

E cada pingo da chuva lambe ao seu modo o para-brisa do carro parado na rua tristonha da primeira capital do Brasil.

O clarão do sol acorda, em cinza, no horizonte.

E a chuva não adormece no tempo, pois cai ao sabor da própria massa.

E como tudo se transforma.

O pingo escorre ao brincar de se esconder do céu.

Pequeninos rios nascem e morrem em si: pingos que são.

E a chuva em derramamento vira concrecoisa.

É hora de trabalhar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Concrecoisa Poeira azul


No espaço infinito, a Terra é mais um ponto de poeira a dançar na não gravidade.

Como os demais corpos celestes, a Terra se movimenta por dentro e por fora, em órbita perfeita em volta do sol.

De longe, também no espaço infinito, o cosmonauta russo Yuri Gagarin disse espantado, pela primeira vez, em 1961, que a Terra era azul.

Passaram 54 anos...

Hoje, a Terra agoniza.

Porque a poeira humana transforma o azul da vida em cor da morte.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Concrecoisa União


A rua que ama o passeio

É chão que ama o passo

E o passo apressado

Passeia no espaço

E o resultado de tanto passo

Na rua

No passeio

No chão do espaço

É o enlaço

Da rua com o passeio

Na vida de cada passo