sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Concrecoisa Galo em Cor


Voltei a pintar com tinta acrílica sobre tela.

Pintei a Concrecoisa Jânio Quadros e abstrações geométricas.

Dentre as abstrações geométricas, nasceu a obra  “Galo Vencedor”, gerada pela espontaneidade harmônica das formas poligonais em explosão de cores.

O grande amigo museólogo Anibal Gondim, doutor em montagem de exposição, fotógrafo experiente e criador de aplicativos voltados para o turismo cultural e museus, aprovou como conhecedor das artes visuais as minhas pinturas.

No último sábado, dia 1º de outubro, Anibal foi abduzido pela pintura abstrata chamada “Galo Vencedor”, adquirindo-a num piscar de olhos.

Hoje, faço uso de uma das minhas pinturas, o “Galo Vencedor II”, na forma de concrecoisa, por sugestão de Anibal.

Só não utilizei a imagem “Galo Vencedor”, que desencadeou tudo isso agora narrado, porque a tela está vestindo-se de moldura para viver feliz numa parede do apartamento de Anibal, já reservada por Simone Trindade, sua mulher.

E a imagem do “Galo Vencedor II”, agora Concrecoisa Galo em Cor, dialoga com as palavras, que suplementam aquilo que precisa emergir de um lugar que não cabe explicação.

A cor fez o galo.
O galo nasceu da cor.
A cor fez a forma.
A forma do galo é cor.

Assim é a vida: talvez arte.

Assim é a arte: com certeza vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Concrecoisa Amam

O vazio era, por si só, tudo.

Houve uma explosão.

A matéria passou a existir.

Depois surgiram mais matérias, que dançaram juntinhas em ritual de multiplicação.

Desse ritual, a vida nasceu em forma de nova matéria que aprendeu o que é morrer.

A partir de uma vida, outras vidas surgiram.

E dessas vidas, os humanos inventaram o amor.

Foi assim que uma matéria descobriu que todas as demais matérias amam.

E a notícia desse amar ganhou mundo e virou concrecoisa.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Concrecoisa Ou Não


O claro não é claro no claro.

O escuro não é escuro no escuro.

Claro, ou não.

Escuro, ou não.

O cantor e compositor Walter Franco lançou o “ou não” na Música Popular Brasileira.

O seu disco de 1973, com a capa toda branca e a foto de uma mosca, leva o nome "Walter Franco - Ou não”, que é uma possibilidade frutificada na letra da canção “Cabeça”.

Walter Franco é um gênio. Gosto muito do seu trabalho musical.

Hoje eu resgato o seu “ou não” ao falar das possibilidades da luz.

Tudo é possibilidade, ou não.

Depende das circunstâncias.

O claro é claro em relação ao escuro.

O escuro é escuro em relação ao claro.

Tudo claro. Tudo escuro.

Nada é claro. Nada é escuro.

Assim quer a luz.

Ou sim!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Concrecoisa Jogo da Vida


Começou, sem saber o caminho.

Caminhou, caminhou, caminhou...

Seguiu.

Trilhou só.

Depois com alguém, sem nome: apenas um outro.

Parou, diante de uma cruz.

Rezou, mesmo sem saber no papel o que era devoção.

Foi aprendendo, assim, conforme cada necessidade.

O tempo era seu amuleto.

Tempo que parava diante d’um problema.

Pulou etapas.

Sentiu frio e riu.

Traquinou com a dúvida.

Nunca chegou ao fim da caminhada.

O fim era sempre o seu começo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Concrecoisa Muito medo


Nascer...

Muito medo aparece.

Anos passam...

Muito medo aumenta.

Infância...

Muito medo de monstros.

Adolescência...

Muito medo da rejeição.

Vida adulta...

Muito medo da incerteza.

Velhice...

Muito medo da morte.

Morte...

Muito medo da ressurreição.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Concrecoisa Além das Pedras


No dia 7, data da Independência do Brasil, o amigo José de Jesus Barreto encaminhou para o meu e-mail o poema abaixo:

Pedras pensam e pulsam
Pedras que rolam e cantam
Pedras que dizem e calam
Pedras tão belas e cálidas
Pedras sagradas e calmas
Pedras que abrigam e ferem

As pedras vivem e sabem
Pedras guardam
E dormem.

Ele disse o seguinte, por telefone, no decorrer do papo cultural, futebolístico (centrado no Esporte Clube Bahia, nosso time do coração), político e astral:

– Não é amanhã (quinta-feira) que você faz a concrecoisa?

– Sim, respondi.

– Talvez sirva, emendou.

– Beleza! Vou ver, completei sem assegurar que faria a concrecoisa.

Eu já estava com uma outra ideia engatilhada, mas diante da beleza dos versos de Barreto, acabei topando com o que chamei de Além das Pedras.

E as pedras rolam sem parar!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Concrecoisa Adentrar


Adentro à sala em chamas, só.

Carrego no peito um amuleto, a letra “a”, adentrada em si, em outras “as”.

Adentro no seu coração, num adentrar invisível ao seu olhar.

Fico num cantinho, em silêncio, escutando-o bater feliz.

Tum, tum, tum, tum... Batucada sincrônica da vida.

Ainda no cantinho, ouço o canto do seu sangue correr, um rio vermelho veloz.

Tum, tum, tum, tum... Talvez seja a sinfônica dos cavalos da tropa da salvação entrando na cidade devastada pela ventania da saudade.

Adentro agora nos seus poros, capilares dos capilares.

E findo o adentrar fixando-me no infinito das possibilidades do inexplicável pulsar do amor.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Concrecoisa Tempodeus


Certo dia, o tempo quis saber quem ele era.

Perguntou para a luz, irradiada d’uma estrela próxima.

Quando ia responder, uma matéria desconhecida que vagava pelo espaço ficou na frente da estrela e fez a noite chegar.

O tempo, então, correu para Terra, planeta com vida, e lançou o mesmo questionamento para o mar.

O mar, sem saber responder, disse que o ar tinha a resposta.

E lá foi o tempo, instantaneamente, perguntar para o ar.

O ar, também sem saber responder, preferiu virar vento, em fuga.

O tempo, inquieto, viu no fogo do vulcão a possibilidade da resposta.

O fogo, sem saber responder, apagou-se em si.

Restou ao tempo perguntar para o animal racional que estava destruindo a Terra.

Se achando dono da verdade e de tudo, o homem levantou a voz, em mais um ato de prepotência.

Antes de concluir a resposta, já velho, o homem morreu.

Foi aí que o tempo viu que ele era Deus e sorriu com pena do homem.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Concrecoisa Umbral


No umbral da fantasia

Em passeio pelo astral

O índio virou astronauta

Ao vestir o manto da ficção

Galopou num dente-de-leão

Ficou pra lá de contente

Assistiu o mundo esfriar

E com aura de ser vidente

Viu o dinossauro desaparecer

E o gelo derreter em mar

E ainda no astral singular

Uma bola de fogo fez a cor

Mais doce que o algodão-doce

Da saborosa maçã do amor

O tempo flerta como fã

Com as camadas da mente

O astronauta virou talismã

Fez o dia nascer num crescente 

Um beijo sem limite

Transformou o dente-de-leão

Na bela deusa Afrodite

Mas ela escapou da minha mão

E invadiu o meu coração

A letra de canção acima, em parceria com Luiz Caldas, intitulada Índio Astronauta, motivou a Concrecoisa Umbral. Se desejar ouvir, acesse o site http://www.luizcaldas.com.br e o disco de MPB Pedido Aceito.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Concrecoisa Dentro e fora


A gema adormece dentro do ovo.

A casca do ovo dialoga com o mundo exterior, o mundo de fora.

A casca está do lado de fora.

Enxergar o que é dentro e o que é fora depende do ponto de vista, do referencial.

A gema do lado de dentro do ovo também está do lado de fora, tendo como referencial o interior da galinha, de onde o ovo saiu.

A casca do ovo está dentro da caixa de ovos, que está dentro do supermercado.

E assim tudo acontece, seja o que seja, gema ou ovo.


Todos estão dentro, estão fora, estão dentro e fora.