sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Concrecoisa Sapo


O sapo é a alegria da lagoa.
Anfíbio por natureza, entre a água e a terra, ele vive o agora irracional.
Saltitante, de pulo em pulo, aqui, ali e acolá, o sapo traça uma curva parabólica no ar.
Ao pular, seu nome ganha uma nova grafia no embaralhar das letras sequenciadas.

Sapo
Apos
Posa
Osap

Assim, saltita feliz o sapo.
Saltitante que nem a própria palavra saltitante.
Consoantes e vogais pulam como um sapo feliz na lagoa da concreocoisa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Concrecoisa Ao Meio


O meio é o equilíbrio. É a harmonia dos opostos.
Nem muito à terra e nem muito ao mar, ensinava o padre Antônio Vieira em seus consagrados sermões.
Assim é o ponto médio, a equidistância das coisas.
Aqui na concrecoisa, o meio é a afirmação dos dois lados que se completam.
Um lado é o outro lado em desejo.
E no meio do caminho, já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade, havia uma pedra.
Aqui não tem pedra, só sentimento, só vida.

No meio do caminho.
No caminho do meio.
Um lado
Ao meio
Meio ao meio
Ao meio
Um lado
No caminho do meio
No meio do caminho.

O equilíbrio é a presença do poder da razão.
É o começo do fim do começo.
Já no infinito espaço, em deslocamento, o meio é qualquer lugar indefinido.
Eis um presente de Deus!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Concrecoisa Zen


O mendigo Zé é zen.
Ele medita em harmonia com a natureza e conhece a si mesmo.
Seu espírito elevado recusa o vintém.
Assim, ele vive ao sabor da liberdade.
Em estado zen, Zé anda sem vintém!
Pela manhã, nos primeiros raios do sol, o canto das ondas do mar ecoou pela praia. E Zé dançou...

Zen
Sem
Vintém

Certo dia...
Um mensaleiro tentou comprar a honra de Zé.
Mas Zé é zen e não precisa de vintém.
Zé riu e curtiu da cara do mensaleiro de colarinho branco.
Muitos anos depois este mensaleiro estava sendo julgado em Brasília.
Zé, em paz celestial, continuava sendo a pessoa mais feliz do mundo.
Zé é zen e sem vintém, cantou o justiceiro que algemou o mensaleiro.
Zé foi ver o ocaso no Farol da Barra.
E o mensaleiro passou a ver o sol nascer quadrado.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Concrecoisa Santo


Santo é desejo ancestral!
O homem quer ser santo.
No Brasil, os santos são muitos, são políticos.
Os santos dormem em Brasília.
Os santos moram no Congresso Nacional.
E alguns santos são togados.
É verdade.
Todos são santos no Brasil.

Tem santo crucificado em cruz dourada por corrupção.
E eles são muitos.  

são santos,
são tantos,
são santos,
são poucos,
são...

Já os poucos santos que nunca moraram no Brasil.
Estes desconhecem a palavra corrupção.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Concrecoisa Trilhos

A foto é em Lisboa, em julho de 2012.
Olhei, gostei e cliquei.
O chão mostra o caminho, ou melhor, trilhos da vida.
A foto, agora, é uma concrecoisa.

O trilho
da vida
segue...

O trilho
da vida
finda.

Trilhos paralelos, vidas paralelas.

A concrecoisa descobre em Lisboa mundos paralelos perdidos no tempo.
A imagem faz a anti-rota de Pedro Álvares Cabral.
Em reticências e ponto final, riscam no chão os trilhos que trilhamos: começo, meio e fim!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Concrecoisa Absinto


A cidade de Praga é exemplo de civilidade.
Tudo funciona bem: sistema de transporte, saúde pública, limpeza urbana e segurança.
Pode-se circular sem medo de assalto pelas belas ruas onde Franz Kafka nasceu.
Conferi in loco, em julho deste ano de 2012, o que digo nesta concrecoisa gerada a partir de uma foto que fiz com a câmara Fuji X10.
O amigo Anibal Gondim, fotógrafo e museólogo de altíssima qualidade, sugeriu a compra da Fuji X10.
Anibal gostou das cores e da composição da foto que passa a ser concrecoisa.
A bicicleta convida para um passeio pelas ruas ancestrais de Praga.
A placa mostra o mundo do absinto, bebida alucinógena que descortina o lado invisível da mente.
Constataram o que digo os imortais Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Edgar Allan Poe.
Aqui na Concrecoisa Absinto a síntese da foto é a liberdade tão desejada por todos.
Acrescento poucas palavras que reforçam a imagem.

Em Praga, placas...
...uma bicicleta
Grades na janela...
...absinto em liberdade

As cores vibram em Praga e a liberdade circula por duas rodas e em qualquer cabeça feliz. É isso!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Concrecoisa Corrupção III


A corrupção no Brasil
Sangra a dignidade dos honestos
E o povo afunda
Cada vez mais

Findo a trilogia sobre corrupção começando com o verso que esteve presente nas concrecoisas anteriores.
Foi uma forma de ligar o fim, o meio e o começo de um pensamento alinhavado.
A corrupção no Brasil é assim. É uma linha histórica que não se parte.
Desde o começo, a corrupção impera.  
O pior ainda não chegou, imagino.
Virei um pessimista.
Pouca coisa mudará sem medidas radicais.
Em 2112, por certo, este texto estará atualíssimo.
O povo fu-fu-di-di-dó-dó continuará fu-fu-di-di-dó-dó.
E o corrupto bacana permanecerá bacana.
E um ex-ministro da Justiça ganhará um busto em praça pública de Brasília.
Ele é o cara! Celebram os pares.
A vida segue e este grito se cala!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Concrecoisa Corrupção II


Continua o meu grito de indignação.
E o país permanece rachado pela corrupção.
O lugar comum da situação caótica do país: os corruptos fazem as leis para se dar bem.
Eles continuam numa boa.
Repito os versos da semana passada:

A corrupção no Brasil
Sangra a dignidade dos honestos
E o povo afunda
Cada vez mais

Com a grana no bolso, corruptos compram os melhores advogados.
Estes, por sua vez, negociam com a Corte.
Quanto vale um ex-ministro da Justiça?
Aqui está a sua parte!
A grana é quem manda...
E o povo: fu-fu-di-di-dó-dó.
E na Asa Norte do Poder Federal, a asa Delta fatura em Cachoeira de grana!
Este é o retrato descolorido do Brasil, infelizmente!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Concrecoisa Corrupção


A corrupção é a decomposição do país.
Ela vem por todos os lados e em ciclos que nunca terminam, encerrando-se em si mesma (corrupçãoãçpurroc).
Sem dó e sem piedade, os corruptos sangram os cofres públicos e a Justiça fecha os olhos.
A Concrecoisa Corrupção é um desabafo; um grito que representa os muitos gritos dos que crescem na vida sem levar nada de ninguém.
O corrupto é o esperto no coração do poder.
Ele vende a própria alma para se dar bem.
No jogo contra a corrupção, a imprensa faz a sua parte. Pululam diariamente matérias sobre o tema.
As páginas dos jornais estão cheias e as celas vazias.
Corruptos raramente são presos.
E o povo calado...
Entra governo e sai governo e a corrupção come no centro.
Este é o Brasil de sempre.
E o povo permanece fu-fu-di-di-dó-dó.
A concrecoisa mostra um país rachado e em constante decomposição.
Termino este primeiro texto (mais dois serão publicados nas próximas sextas-feiras) com o seguinte verso:

A corrupção no Brasil
Sangra a dignidade dos honestos
E o povo afunda
Cada vez mais