sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Concrecoisa Chão de Portugal III


A âncora estava ali, na calçada, olhando os milhões de passos apressados.

Ninguém parava para fazer parte do seu universo estático.

A poeira era a contradição que adormecia no seu colo minuto a minuto.

Certo dia, Merinita quis ser poeira.

E poeira humana virou adormecida na calçada.

Onde ficou sentindo a pressão e a humilhação de cada pisada.

Depois de muito tempo, Merinita voltou a ser movimento.

E o seu rastro virou circunstância de sua vida, circunstância que embasa o pensamento do filósofo espanhol Ortega y Gasset, que disse: “Eu sou eu e minha circunstância, e se não a salvo não me salvo eu”.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Concrecoisa Chão de Portugal II


Pedro está para a pedra

A pedra está para Pedro

Pedro amou a pedra

A pedra virou civilização

Um dia

Pelas mãos de Pedro

As pedras desenharam um nó

Desde então

As solas dos pés celebraram o porvir

E deixaram um rastro de amor petrificado entre o sonho e a realidade

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Concrecoisa Chão de Portugal I

As calçadas das cidades portuguesas trazem belezas sem fim.

As surpresas desenhadas em preto e branco acompanham o caminhar.

Os pés sorriem pelos caminhos da vida.

Mas o olhar nem sempre descobre o sorriso que brota do chão de pedra.

Chão que é sorriso simétrico.

Que é sorriso em contraste.

Que é sorriso histórico.

Que é sorriso arquitetônico.

Que é sorriso que navega pelos mares dos descobrimentos portugueses.

Enquanto o tempo passa, o chão respira vida nas calçadas das urbes.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Concrecoisa Prazer sitiado


Na cidade de Nazaré, no interior de Portugal, as ondas gigantes beijam os lados do Forte de São Miguel Arcanjo.

Foi em Nazaré, em visita recente, que encontrei o agradável cantinho de petiscos chamado Sitiado.

O prazer mora por lá!

A atmosfera acolhedora foi criada por Wilson Ferreira.

Lá no Sitiado, que funciona na Rua Amadeu Gaudêncio, número 2, o excelente atendimento tem várias digitais e uma dessas digitais leva o nome de Paulo Maia.

Nesta sexta-feira, a concrecoisa está sitiada no mar da saudade.

E a saudade que invade a alma é parte da singularidade da língua portuguesa, como é singular o prazer Sitiado em Nazaré!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Concrecoisa Raio


O raio cortou a atmosfera

Em cuspe de energia

No mesmo instante

O ar virou vento

E nas colinas lá no horizonte

O trovão ainda canta

Na festa promovida pela tempestade

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Concrecoisa Vazio é cheio


Delum não acreditou no sonho da noite passada.

Na loucura de sua mente adormecida, uma nave interplanetária pousava no seu quintal.

E uma voz dizia: “O vazio é cheio”.

Os anos passaram.

Já velhinho, a mesma voz voltou a dizer: “O vazio é cheio”.

Delum não precisou de mais nada para entender que do outro lado do vazio da morte existia algo cheio de vida.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Concrecoisa Mais Paz


bala

grito

dor

agonia

medo

morte, morte, morte...

choro dos que ficaram esperando a paz

mais paz

só a paz

nada mais, nada mais...

triste retrato do Brasil de agora!