quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Concrecoisa Busca do par

Um par é complemento...

E quando uma parte se perde da outra parte

O que era dupla se transforma em unidade

Desde então, a memória começa a vasculhar as inúmeras camadas da mente

E acaba em explosão de saudade

A bota velha e solitária desta concrecoisa foi fotografada numa rua de Salvador

Ela faz parte do descarte natural das coisas

Ela, imagino, também nunca esqueceu que tinha um par

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Concrecoisa Felicidade infinda

Maria teve cinco filhos.

Ela cuidou sozinha das crianças. O marido morreu cedo.

A comida era regrada, só com o básico.

A educação era sagrada e os livros didáticos reciclados.

As crianças cresceram, se formaram e ganharam o mundo.

Todos foram graduados em nível superior e passaram a ocupar um lugar de destaque na sociedade.

Quando Maria completou 90 anos, os filhos fizeram uma única pergunta na festa de aniversário.

– Mãe, por que a senhora nunca entrava em desespero quando o dinheiro terminava?

Ela respondeu, rindo:

– Porque eu sou felicidade e essa felicidade infinda faz sumir tudo que não faz bem. O desespero era a primeira coisa a sumir. 

E todos se abraçaram numa felicidade infinda, contagiando quem estava na festa e, agora, quem acabou de ler a concrecoisa.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Concrecoisa Bote da fé

O mar estava calmo.

A viagem seguia tranquila, segura e em paz.

Repentinamente, uma tempestade apontou no horizonte.

A calmaria virou caos.

A embarcação virou.

E naquelas águas turvas, turbulentas e mortais surgiu um bote.

A fé fez surgir aquela embarcação chamada de bote da fé.

Salvo, em terra firme, quem estava na embarcação escreveu na areia da praia para o mar lamber e o vento secar: “O bote da fé salva do naufrágio d’alma”.

E a tempestade se dissipou no horizonte, pedindo perdão.

Ela tinha "consciência" do que fizera. 

É da natureza da tempestade atormentar o momento de paz!

A fé riu de tudo.

E ficou mais forte do que era.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Concrecoisa Nova memória

O ano de 2020 está no passado.

E o ano novo começa com a bandeira da esperança hasteada dentro de cada um.

O otimismo pisca na esquina da vida.

As coisas ruins são lançadas para as zonas abissais do esquecimento.

E a magia do novo borda a bainha da calça para não atrapalhar a caminhada que está acontecendo.

Diante de tudo que acontece na revoada do tempo, no cruzamento entre presente, passado e futuro, um cisco de renovação faz escorrer pela face uma lágrima da esperança.

E a memória tecida pelo presente.

Finalizada no passado.

Aponta para o futuro e mostra que somos memória.

Assim, desejo um feliz 2021 para todos que curtem as concrecoisas.

Adeus ano velho, que agora é mais uma camada de memória!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Concrecoisa Tempos de evaporação


Tempos de agora.

Estridente, com lacração e muita interrogação.

Tempo de evaporação humana.

Tempo de ideologia acima da razão.

Tempo de soberba e dominação.

Tempo de vaidade.

E a sociedade vai ruindo...

Porém surge no barro do chão um espinho da esperança.

Dele nascerá uma rosa da retransformação.

E em algum lugar, haverá luz iluminando a escuridão d’alma!

É a resiliência da bondade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Concrecoisa Confins da procela

O velho Ovídio disse que “os fins justificam os meios”.

O também velho Maquiavel soprou a frase sem dar o crédito.

O filósofo Albert Camus entendeu que “os fins não justificam os meios”.

O revolucionário sem causa ficou sem entender nada.

E sem entender, espera que tudo se resolva nos confins da procela.

A confusão da justificativa foi criada.

Um poeta anônimo escreveu que o começo ainda não iniciou a sua marcha rumo ao fim. 

Por isso ela perambula com as palavras pelos confins da procela.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Concrecoisa Dança da esperança


Era uma criança feliz, talvez a mais feliz do mundo.

Essa felicidade natural se multiplicava quando ela respirava a brisa do mar e dançava ao som da sinfônica da natureza.

O vento que balançava as folhas das árvores acelerava os seus passos.

O silêncio da noite servia de combustível para a dança recomeçar no dia seguinte, com sol ou chuva.

Todos os seus passos eram sincronizados, precisos e elegantes.

A sua felicidade prosperava com o correr dos anos.

Aquela criança nunca envelhecia por dentro.

E ela foi prosperando, prosperando…

Sempre no tempo certo, pois, conforme Eclesiastes, “há para todas as coisas um tempo determinado por Deus”.

E essa espera que prospera na criança que dança virou semente da esperança.

Todos os dias, na dança da vida, uma semente é plantada dentro de nós.

E o amor faz essa semente germinar!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Concrecoisa Marcas do tempo

Uma folha acabou de cair no chão.

Foi o vento. Foi o tempo.

Um pedaço de ferro acabou de oxidar.

Foi a ação da água. Foi o tempo.

Uma vida deixou de existir.

Foi o ciclo natural das células. Foi o tempo.

O pôr do sol acabou de acontecer.

Foi o dia findando. Foi o tempo.

Tudo está acontecendo ao mesmo tempo.

Cada vida e cada coisa diante da ação do tempo.

Assim é o silêncio do tempo, com a sua missão, diante de nós!

quinta-feira, 26 de novembro de 2020


Vivemos cercados de coisas.

Cada uma tem a sua importância.

Existem as coisas principais, as secundárias, as terciárias…

Essas coisas pertencem ao mundo dos humanos.

Para algumas pessoas, os objetos são as coisas mais importantes de uma vida, não a própria vida.

Cada um faz a sua escolha.

Os iluminados percebem que os entes queridos são as coisas principais da vida.

Jorge Mautner é uma dessas pessoas. Ele disse que “as coisas principais do ser humano são os entes queridos”.

Jorge Mautner tem razão e iluminação.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Concrecoisa Xeque-mate

O sol nasce, adormece e nasce novamente...

Todo dia é assim

A vida se levanta para mais uma batalha

Como se fosse um jogo de xadrez

Onde as peças se movimentam pelo tabuleiro do tempo

É a vida, é a vida...

Repleta de xeque-mate

Queira ou não

Perder para vencer

Assim é a vida com as suas circunstâncias