quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Concrecoisa Perda-pedra

Tanta perda na trilha da vida.

Tanta pedra fazendo uma trilha.

Tanta perda...

Tanta pedra…

Perda da pedra.

Pedra perdida.

Trilha, trilho, trinco, trincheira.

Uma perda.

Uma pedra.

E o perdão!

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Concrecoisa Poema de Neandertal


Não existia verbo 

Nem mensagem

Só instinto 

Só evolução

Só a luta pela sobrevivência 

E o homem sabido 

Ficou mais sabido depois que inventou o papel

E passou a guardar os sentimentos

O tempo foi passando...

E a primeira folha de papel ainda espera

Pelo poema do homem de Neandertal

Dizem que esse poema conta

Que tudo vira cinza 

E o vento do tempo 

Sopra tudo para a zona do esquecimento

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Concrecoisa Tampinha


O vírus chegou.

Na verdade, ele já estava entre nós. 

Por conta do destino, ele acordou para a vida social.

E foi pra cima do ser humano como quem cobra uma dívida histórica.

Na sua marcha, vem ceifando milhares de vidas.

O pânico é geral.

E essa pobre tampinha acabou sendo vítima de bullying do vírus.

Só porque o seu nome é Corona.

Não, a tampinha não tem culpa de nada.

Libertem a tampinha da opressão.

Ela não mata ninguém.

Ela é apenas uma tampinha.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Concrecoisa Rotina da rotina


Menelau, naquele dia, acordou tarde. Tudo por causa da farra que varou a madrugada.

Ele nunca tinha feito farra. Nem na juventude.

Ficou preocupado por perder a hora.

Pulou da cama e sem fazer a rotina matinal, foi à luta.

Como tinha que cumprir tarefas, não almoçou.

No fim da tarde, estava quase desmaiando.

Tudo porque ficou sem tomar o tradicional café da manhã e sem o prato feito no almoço.

De quebra, estava com ressaca.

A partir desse dia, Menelau não foi mais o mesmo.

No fundo do seu desejo, queria fazer da farra a rotina de vida.

E ficou nesse ritmo durante seis meses, dia após dia.

O patrão já não estava satisfeito com o ex-profissional exemplar.

Cansou dos abusos e deu-lhe um cartão vermelho.

Menelau perdeu o chão.

Era tarde.

E se arrependeu por trocar a rotina da rotina pela rotina do prazer.

Sem rumo na vida e sem dinheiro, ficou sem nenhuma daquelas rotinas.

Só restou o gosto amargo da rotina do arrependimento.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Concrecoisa Ilusão


Ela dizia que amava ele.

Ele dizia que amava-a muito mais.

No dia seguinte, ela dizia que amava-o muito mais do que ele.

Assim, todos os dias, eles realimentavam o amor.

Aquele sentimento era verdadeiro e só crescia.

A razão alimentava o amor.

E não despertou a dor que vem com a ilusão.

Ele dizia que amava ela.

Ela dizia que amava-o muito mais.

No dia seguinte, ele dizia que amava-a muito mais do que ela.

Assim, morreram juntinhos.

Estavam bem velhinhos.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Concrecoisa Esperando…


Viver é esperar, pois sempre vivemos esperando.

Esperamos por dias melhores, pelo restabelecimento da saúde, pelo salário do mês (para quem é assalariado), pelas férias, pelos presentes no aniversário e Natal, pelas reuniões alegres com os amigos e pelo gol do nosso time.

Esperamos vencer na vida e nos distanciamos da derrota, que é possibilidade esperada pelo campo da probabilidade.

Esperamos por milagres e pelo amor perfeito.

A espera é um presente da esperança.

Acho até que a espera é siamesa da esperança.

Tem espera envolvida em negatividade, como a espera dolorida de uma condenação por infringir a lei.

Diante de tanta espera, creio que ela não tem compromisso com o andar do tempo.

Se tivesse algum compromisso, ninguém ficaria esperando por mais nada.

Espero que tenha gostado.

Se não gostou, lamento, e peço para que espere pela concrecoisa da próxima sexta-feira. 

Espero encontrar um tema que seja do agrado de todos!

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Concrecoisa Cicatriz sarada


A cicatriz pode ser vista como marca inicial para cada pessoa superar uma dificuldade.

Ela está por dentro e por fora.

A externa é mais fácil de perceber e por vezes assusta.

A interna fica escondida da multidão nas zonas abissais do cérebro e só o seu dono pode mostrar como ela é.

Existe a cicatriz histórica que mexe e remexe com a própria história.

Cada povo tem a sua cicatriz.

Sarar uma cicatriz é processo longo.

A cicatriz é filha da ferida.

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A elaboração desta concrecoisa contou com a ajuda do amigo poeta e escritor José de Jesus Barreto. Ele completou “cicatriz traz” com “ferida sarada”.

A síntese ficou muito boa, além da sonoridade!

Cicatrizemos!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Concrecoisa Cabeça


O que passa pela cabeça de cada um é assunto intrigante e que alimenta trilhões de páginas de livros.

A psicanálise tenta explicar. 

Pois na cabeça cabe tudo.

Ou não, como dizia Walter Franco, autor da canção “Cabeça”, defendida no Festival Internacional da Canção de 1972. 

– O que é que tem dentro dessa cabeça, irmão. Essa cabeça pode..., dizia Walter Franco.

Ainda na música, a cabeça, no plural, estampava na capa do LP “Bicho de 7 cabeças”, de Geraldo Azevedo. O disco foi lançado em 1979.

Outro disco que levou o nome cabeça foi do grupo de rock Titãs. “Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986, foi o terceiro álbum da banda.

E a cabeça que rola na música tem ligação direta com Medusa, da mitologia grega, com sua cabeça cheia de serpentes.

O medo cabe na cabeça!

Obedeça a cabeça. Desobedeça a cabeça.

Tudo cabe e não cabe na cabeça. 

Cada um sabe (ou não) a dor de cabeça que tem!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Concrecoisa Geometria em harmonia


As formas geométricas estão em todos os lugares.

Elas falam por si.

São poemas muitas vezes despercebidos.

Os polígonos são versos.

As linhas retas e curvas são versos.

Os círculos são versos.

E nenhuma forma precisa brigar com a outra para viver feliz, nem com as linhas.

Elas vivem em harmonia.

Os círculos convivem com os polígonos, com as linhas retas e curvas.

Essas formas geométricas em harmonia ensinam mais do que todos os tratados que buscam deixar o mundo melhor e sem conflitos.

A lua redonda, lá no céu, sorri no quadrado da janela.

Assim é a poesia das formas geométricas diante dos nossos olhos.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Concrecoisa Ciúme


O ciúme é capaz de tudo.

Já fez inúmeras vítimas e continua fazendo.

A Bíblia mostrou que o ciúme alimentou o instinto mais primitivo do homem.

Esse instinto fez Caim matar Abel.

O ciúme é uma semente da inveja.

Ele age como gotas de veneno que matam aos poucos.

E de tanto ceifar vidas, por vezes ele acaba cometendo suicídio.

O ciúme também gira como ponteiro de um relógio solar no dorso da história da humanidade.

Qualquer hora é a sua hora de despertar!