quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Concrecoisa Quem vem lá?

Quando eu era pequeno, em Jacobina/BA, minha avó Quiquinha, por parte mãe, sempre respondia em forma de cantoria e com bondade quem, da rua, perguntava alguma coisa para quem estava dentro de casa.

Quando o passante dizia: "Ô de casa!".

Ela respondia: "Ô de fora!".

Daí vinha a conversa.

Eu ficava ouvindo sem entender direito o que estava ocorrendo.

Muitas vezes os passantes pediam um copo d'água, um prato de comida ou queria vender alguma coisa.

Nunca faltava retorno, uma ajuda.

Esse aprendizado foi passado sem imposição.

Tem gente dentro...

Tem gente fora...

O coração sempre quer ajudar, seja por dentro, seja por fora.

É a gratidão sem fim que vai multiplicando ao longo da vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Concrecoisa Cuidado do vencedor

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...


Quando deixou de caminhar por atalhos


Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu...

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Concrecoisa Deixa pra lá

Cada um carrega a sua cruz.

Algumas são de ferro fundido.

Outras são de madeira, de papelão, de vidro e de poeira.

Não importa o material, pois cruz é cruz.

A cruz é o preço a pagar.

É o presente reservado pelo destino.

Que um dia bate à porta.

É por isso que tem coisas que é melhor nem pensar para alongar a felicidade.

Assim é a vida crucificada de cada um.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Concrecoisa Tempo de espera

O tempo presente marcou encontro com o futuro.

O assunto: definir se iam ou não se casar.

O tempo presente tinha dúvidas.

O futuro disse que daria um prazo para o presente se definir.

Os dias foram passando e o prazo escorrendo no ralo do passado.

Enquanto pensava, o tempero da vida nutria a dúvida.

Até hoje o futuro espera.

O prazo continua escorrendo no infinito. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Concrecoisa Poucos


Eram poucos.

Contava-os numa mão.

Mesmo sendo poucos, tinham um desejo incontido de poder.

Eles não queriam ser parte dos muitos.

Queriam mandar em muitos.

Não tiveram sorte.

Eram poucos, poucos, poucos…

Até se transformar em nada.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Concrecoisa Saber e não saber

Batoré gostava de saber de tudo.

Ficou conhecido como sabichão da rua.

Um grafiteiro da cidade pichou o muro da igreja com a frase: “Batoré sabe mais do que o Google”.  

Com o passar do tempo, todos daquele lugar começaram a chamar Batoré de fofoqueiro.

Tudo porque ele sabia com detalhes de coisas das pessoas da cidade que só as paredes confessam.

Um dia, soube de um segredo que não podia saber. 

Tentou esquecer, mas não conseguiu.

Aquele segredo tinha virado uma espécie de nódoa d’alma de Batoré.

Desde então, aprendeu que tem coisa que vale saber e tem coisa que não vale saber.

Batoré só conseguiu ser feliz plenamente quando se desligou dos saberes.

Já estava caducando.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Dança da esperança

Vivia sem acreditar em nada.

Tudo era azedo, amargo, ácido e insosso.

Um dia, uma luz misteriosa entrou pela sua janela.

Era a luz da esperança.

Foi uma grata surpresa.

E começou a ensaiar os primeiros passos da dança da mudança.

Essa dança alimentou o seu espírito com uma nova energia.

Desde então, dias melhores nasciam no seu horizonte.

Tudo porque a esperança não abandona quem acredita nela.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Concrecoisa Perda-pedra

Tanta perda na trilha da vida.

Tanta pedra fazendo uma trilha.

Tanta perda...

Tanta pedra…

Perda da pedra.

Pedra perdida.

Trilha, trilho, trinco, trincheira.

Uma perda.

Uma pedra.

E o perdão!

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Concrecoisa Poema de Neandertal


Não existia verbo 

Nem mensagem

Só instinto 

Só evolução

Só a luta pela sobrevivência 

E o homem sabido 

Ficou mais sabido depois que inventou o papel

E passou a guardar os sentimentos

O tempo foi passando...

E a primeira folha de papel ainda espera

Pelo poema do homem de Neandertal

Dizem que esse poema conta

Que tudo vira cinza 

E o vento do tempo 

Sopra tudo para a zona do esquecimento

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Concrecoisa Tampinha


O vírus chegou.

Na verdade, ele já estava entre nós. 

Por conta do destino, ele acordou para a vida social.

E foi pra cima do ser humano como quem cobra uma dívida histórica.

Na sua marcha, vem ceifando milhares de vidas.

O pânico é geral.

E essa pobre tampinha acabou sendo vítima de bullying do vírus.

Só porque o seu nome é Corona.

Não, a tampinha não tem culpa de nada.

Libertem a tampinha da opressão.

Ela não mata ninguém.

Ela é apenas uma tampinha.