quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Concrecoisa Nova memória

O ano de 2020 está no passado.

E o ano novo começa com a bandeira da esperança hasteada dentro de cada um.

O otimismo pisca na esquina da vida.

As coisas ruins são lançadas para as zonas abissais do esquecimento.

E a magia do novo borda a bainha da calça para não atrapalhar a caminhada que está acontecendo.

Diante de tudo que acontece na revoada do tempo, no cruzamento entre presente, passado e futuro, um cisco de renovação faz escorrer pela face uma lágrima da esperança.

E a memória tecida pelo presente.

Finalizada no passado.

Aponta para o futuro e mostra que somos memória.

Assim, desejo um feliz 2021 para todos que curtem as concrecoisas.

Adeus ano velho, que agora é mais uma camada de memória!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Concrecoisa Tempos de evaporação


Tempos de agora.

Estridente, com lacração e muita interrogação.

Tempo de evaporação humana.

Tempo de ideologia acima da razão.

Tempo de soberba e dominação.

Tempo de vaidade.

E a sociedade vai ruindo...

Porém surge no barro do chão um espinho da esperança.

Dele nascerá uma rosa da retransformação.

E em algum lugar, haverá luz iluminando a escuridão d’alma!

É a resiliência da bondade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Concrecoisa Confins da procela

O velho Ovídio disse que “os fins justificam os meios”.

O também velho Maquiavel soprou a frase sem dar o crédito.

O filósofo Albert Camus entendeu que “os fins não justificam os meios”.

O revolucionário sem causa ficou sem entender nada.

E sem entender, espera que tudo se resolva nos confins da procela.

A confusão da justificativa foi criada.

Um poeta anônimo escreveu que o começo ainda não iniciou a sua marcha rumo ao fim. 

Por isso ela perambula com as palavras pelos confins da procela.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Concrecoisa Dança da esperança


Era uma criança feliz, talvez a mais feliz do mundo.

Essa felicidade natural se multiplicava quando ela respirava a brisa do mar e dançava ao som da sinfônica da natureza.

O vento que balançava as folhas das árvores acelerava os seus passos.

O silêncio da noite servia de combustível para a dança recomeçar no dia seguinte, com sol ou chuva.

Todos os seus passos eram sincronizados, precisos e elegantes.

A sua felicidade prosperava com o correr dos anos.

Aquela criança nunca envelhecia por dentro.

E ela foi prosperando, prosperando…

Sempre no tempo certo, pois, conforme Eclesiastes, “há para todas as coisas um tempo determinado por Deus”.

E essa espera que prospera na criança que dança virou semente da esperança.

Todos os dias, na dança da vida, uma semente é plantada dentro de nós.

E o amor faz essa semente germinar!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Concrecoisa Marcas do tempo

Uma folha acabou de cair no chão.

Foi o vento. Foi o tempo.

Um pedaço de ferro acabou de oxidar.

Foi a ação da água. Foi o tempo.

Uma vida deixou de existir.

Foi o ciclo natural das células. Foi o tempo.

O pôr do sol acabou de acontecer.

Foi o dia findando. Foi o tempo.

Tudo está acontecendo ao mesmo tempo.

Cada vida e cada coisa diante da ação do tempo.

Assim é o silêncio do tempo, com a sua missão, diante de nós!

quinta-feira, 26 de novembro de 2020


Vivemos cercados de coisas.

Cada uma tem a sua importância.

Existem as coisas principais, as secundárias, as terciárias…

Essas coisas pertencem ao mundo dos humanos.

Para algumas pessoas, os objetos são as coisas mais importantes de uma vida, não a própria vida.

Cada um faz a sua escolha.

Os iluminados percebem que os entes queridos são as coisas principais da vida.

Jorge Mautner é uma dessas pessoas. Ele disse que “as coisas principais do ser humano são os entes queridos”.

Jorge Mautner tem razão e iluminação.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Concrecoisa Xeque-mate

O sol nasce, adormece e nasce novamente...

Todo dia é assim

A vida se levanta para mais uma batalha

Como se fosse um jogo de xadrez

Onde as peças se movimentam pelo tabuleiro do tempo

É a vida, é a vida...

Repleta de xeque-mate

Queira ou não

Perder para vencer

Assim é a vida com as suas circunstâncias

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Concrecoisa Vida

Os olhos estavam atentos…

Na praia, um grão de areia brilhava com o sol.

E o vai e vem das ondas do mar que dançavam com a lua.

No horizonte, gaivotas em voo rasante.

E o vento, sem descanso, brincava com a borboleta.

Numa árvore frondosa, um canarinho da terra cantava a canção da natureza.

Tudo estava acontecendo ao mesmo tempo.

Do outro lado da praia, no asfalto, muitos passos ligeiros dos trabalhadores.

E carros riscando o chão betuminoso.

E a fumaça da evolução humana adormecia em algum lugar, também levada pelo vento.

O detalhe estava pulsando no todo.

Detalhe que escrevia a história da vida!

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Concrecoisa Pecado dos pecados

Aquela pessoa nasceu pura, igual às demais.

Com o passar do tempo, sua mente foi mudando.

A formatação estava em curso.

O seu ego foi inflamado.

E as outras pessoas, pelo seu olhar, passaram a ser consideradas inferiores.

O pecado dos pecados já estava enraizado.

Vaidade, vaidade, vaidade…

Um dia, a humildade bateu à porta.

Mostrou as limitações e as fraquezas humanas.

Era tarde demais!

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Concrecoisa Cada momento

Tudo vira palavra.

A palavra é tudo.

Ela diz o que pensamos.

E fica em silêncio quando o amor cega.

A palavra é tudo.

A cinza é a palavra morta, queimada pelo ódio, pela vingança, pela censura, pela...

A página em branco é a palavra em potência. Cabe tudo nela, que se multiplica.

Cada momento tem a sua vez, tem a palavra certa.

Sinônimos e antônimos.

Verbos, verbos, verbos...

Palavra por palavra.

Não importa a língua.

Tudo vira palavra.

Ela é tudo.

Love, love, love...

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Concrecoisa Volta da paz

A paz sempre existiu.

E quer voltar a brilhar.

Foi com esse pensamento que Zion fez carreira na vida pública e conduziu a sua nação.

Um dia, o seu povo preferiu fazer a guerra.

E perdeu para o inimigo.

Quando todos choravam a derrota, Zion disse com sabedoria:

– A paz sempre existiu dentro de cada um. Não adianta alimentar a guerra. Se quer viver em paz, volte atrás. 

Garrafas com o seu pensamento foram lançadas ao mar.

De vez em quando, uma delas chega à praia.

E as outras continuam navegando dentro de cada um.

A praia é logo ali!

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Concrecoisa Desejo


O desejo está para o humano assim como o pingo da chuva está para a força da natureza.

E esse desejo também transborda nas formas geométricas.

Nesse mundo que nos rodeia, tem algo pensando em ser o que não é.

É o desejo se manifestando.

Também tem desejo que não se manifesta.

O fogo, por exemplo, não quer ser água.

E vice-versa.

Mas, quem sabe, num dia inimaginável, esse desejo apareça do nada... 

Voltando ao desejo nas formas geométricas, tem quadrado que quer ser círculo.

Tem triângulo que quer ser quadrado.

Tem reta que quer ser curva.

A imagem que ilustra a concrecoisa de hoje aponta para esse desejo.

Assim a vida gira.

Desejando ou não.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Concrecoisa Rotina do milagre

Milagre é coisa admirável, fantástica, elevadíssima e com uma interrogação do tamanho do infinito.

A ordem prodigiosa da natureza, a vida das plantas e dos animais e a atividade da luz são exemplos de milagres.

Todo milagre rompe com a racionalidade e faz nascer o absurdo.

Os céticos não acreditam em milagres e preferem as leis da física para acalmar a mente que busca explicação para as coisas inexplicáveis.

Todo dia, o milagre acorda a esperança.

Esse é o principal momento de cada dia da vida: o nascer da esperança por causa do milagre.

Assim, quem acredita em milagre ganha força para seguir em frente.

E o milagre afirma que tudo que é ruim uma hora vai acabar.

E acaba mesmo.

Deus é o milagre maior!

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Concrecoisa Cicatriz inflamada

Sua vida foi marcada pela sorte e por conquistas no campo profissional.

Seu único problema era uma ferida do passado, fruto do sofrimento do coração.

Com o tempo, a ferida fechou.

Só que um dia, depois de décadas, aconteceu algo que fez a cicatriz abrir em nova ferida.

A dor foi intensa.

O sofrimento chegou como uma assombração.

Depois de muito tratamento, a cicatriz do passado voltou a fechar.

Mas sempre incomodava.

Era a cicatriz do amor que estava sempre inflamada.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Concrecoisa Quem vem lá?

Quando eu era pequeno, em Jacobina/BA, minha avó Quiquinha, por parte mãe, sempre respondia em forma de cantoria e com bondade quem, da rua, perguntava alguma coisa para quem estava dentro de casa.

Quando o passante dizia: "Ô de casa!".

Ela respondia: "Ô de fora!".

Daí vinha a conversa.

Eu ficava ouvindo sem entender direito o que estava ocorrendo.

Muitas vezes os passantes pediam um copo d'água, um prato de comida ou queria vender alguma coisa.

Nunca faltava retorno, uma ajuda.

Esse aprendizado foi passado sem imposição.

Tem gente dentro...

Tem gente fora...

O coração sempre quer ajudar, seja por dentro, seja por fora.

É a gratidão sem fim que vai multiplicando ao longo da vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Concrecoisa Cuidado do vencedor

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...

Perdeu...


Quando deixou de caminhar por atalhos


Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu…

Venceu...

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Concrecoisa Deixa pra lá

Cada um carrega a sua cruz.

Algumas são de ferro fundido.

Outras são de madeira, de papelão, de vidro e de poeira.

Não importa o material, pois cruz é cruz.

A cruz é o preço a pagar.

É o presente reservado pelo destino.

Que um dia bate à porta.

É por isso que tem coisas que é melhor nem pensar para alongar a felicidade.

Assim é a vida crucificada de cada um.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Concrecoisa Tempo de espera

O tempo presente marcou encontro com o futuro.

O assunto: definir se iam ou não se casar.

O tempo presente tinha dúvidas.

O futuro disse que daria um prazo para o presente se definir.

Os dias foram passando e o prazo escorrendo no ralo do passado.

Enquanto pensava, o tempero da vida nutria a dúvida.

Até hoje o futuro espera.

O prazo continua escorrendo no infinito. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Concrecoisa Poucos


Eram poucos.

Contava-os numa mão.

Mesmo sendo poucos, tinham um desejo incontido de poder.

Eles não queriam ser parte dos muitos.

Queriam mandar em muitos.

Não tiveram sorte.

Eram poucos, poucos, poucos…

Até se transformar em nada.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Concrecoisa Saber e não saber

Batoré gostava de saber de tudo.

Ficou conhecido como sabichão da rua.

Um grafiteiro da cidade pichou o muro da igreja com a frase: “Batoré sabe mais do que o Google”.  

Com o passar do tempo, todos daquele lugar começaram a chamar Batoré de fofoqueiro.

Tudo porque ele sabia com detalhes de coisas das pessoas da cidade que só as paredes confessam.

Um dia, soube de um segredo que não podia saber. 

Tentou esquecer, mas não conseguiu.

Aquele segredo tinha virado uma espécie de nódoa d’alma de Batoré.

Desde então, aprendeu que tem coisa que vale saber e tem coisa que não vale saber.

Batoré só conseguiu ser feliz plenamente quando se desligou dos saberes.

Já estava caducando.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Dança da esperança

Vivia sem acreditar em nada.

Tudo era azedo, amargo, ácido e insosso.

Um dia, uma luz misteriosa entrou pela sua janela.

Era a luz da esperança.

Foi uma grata surpresa.

E começou a ensaiar os primeiros passos da dança da mudança.

Essa dança alimentou o seu espírito com uma nova energia.

Desde então, dias melhores nasciam no seu horizonte.

Tudo porque a esperança não abandona quem acredita nela.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Concrecoisa Perda-pedra

Tanta perda na trilha da vida.

Tanta pedra fazendo uma trilha.

Tanta perda...

Tanta pedra…

Perda da pedra.

Pedra perdida.

Trilha, trilho, trinco, trincheira.

Uma perda.

Uma pedra.

E o perdão!

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Concrecoisa Poema de Neandertal


Não existia verbo 

Nem mensagem

Só instinto 

Só evolução

Só a luta pela sobrevivência 

E o homem sabido 

Ficou mais sabido depois que inventou o papel

E passou a guardar os sentimentos

O tempo foi passando...

E a primeira folha de papel ainda espera

Pelo poema do homem de Neandertal

Dizem que esse poema conta

Que tudo vira cinza 

E o vento do tempo 

Sopra tudo para a zona do esquecimento

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Concrecoisa Tampinha


O vírus chegou.

Na verdade, ele já estava entre nós. 

Por conta do destino, ele acordou para a vida social.

E foi pra cima do ser humano como quem cobra uma dívida histórica.

Na sua marcha, vem ceifando milhares de vidas.

O pânico é geral.

E essa pobre tampinha acabou sendo vítima de bullying do vírus.

Só porque o seu nome é Corona.

Não, a tampinha não tem culpa de nada.

Libertem a tampinha da opressão.

Ela não mata ninguém.

Ela é apenas uma tampinha.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Concrecoisa Rotina da rotina


Menelau, naquele dia, acordou tarde. Tudo por causa da farra que varou a madrugada.

Ele nunca tinha feito farra. Nem na juventude.

Ficou preocupado por perder a hora.

Pulou da cama e sem fazer a rotina matinal, foi à luta.

Como tinha que cumprir tarefas, não almoçou.

No fim da tarde, estava quase desmaiando.

Tudo porque ficou sem tomar o tradicional café da manhã e sem o prato feito no almoço.

De quebra, estava com ressaca.

A partir desse dia, Menelau não foi mais o mesmo.

No fundo do seu desejo, queria fazer da farra a rotina de vida.

E ficou nesse ritmo durante seis meses, dia após dia.

O patrão já não estava satisfeito com o ex-profissional exemplar.

Cansou dos abusos e deu-lhe um cartão vermelho.

Menelau perdeu o chão.

Era tarde.

E se arrependeu por trocar a rotina da rotina pela rotina do prazer.

Sem rumo na vida e sem dinheiro, ficou sem nenhuma daquelas rotinas.

Só restou o gosto amargo da rotina do arrependimento.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Concrecoisa Ilusão


Ela dizia que amava ele.

Ele dizia que amava-a muito mais.

No dia seguinte, ela dizia que amava-o muito mais do que ele.

Assim, todos os dias, eles realimentavam o amor.

Aquele sentimento era verdadeiro e só crescia.

A razão alimentava o amor.

E não despertou a dor que vem com a ilusão.

Ele dizia que amava ela.

Ela dizia que amava-o muito mais.

No dia seguinte, ele dizia que amava-a muito mais do que ela.

Assim, morreram juntinhos.

Estavam bem velhinhos.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Concrecoisa Esperando…


Viver é esperar, pois sempre vivemos esperando.

Esperamos por dias melhores, pelo restabelecimento da saúde, pelo salário do mês (para quem é assalariado), pelas férias, pelos presentes no aniversário e Natal, pelas reuniões alegres com os amigos e pelo gol do nosso time.

Esperamos vencer na vida e nos distanciamos da derrota, que é possibilidade esperada pelo campo da probabilidade.

Esperamos por milagres e pelo amor perfeito.

A espera é um presente da esperança.

Acho até que a espera é siamesa da esperança.

Tem espera envolvida em negatividade, como a espera dolorida de uma condenação por infringir a lei.

Diante de tanta espera, creio que ela não tem compromisso com o andar do tempo.

Se tivesse algum compromisso, ninguém ficaria esperando por mais nada.

Espero que tenha gostado.

Se não gostou, lamento, e peço para que espere pela concrecoisa da próxima sexta-feira. 

Espero encontrar um tema que seja do agrado de todos!

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Concrecoisa Cicatriz sarada


A cicatriz pode ser vista como marca inicial para cada pessoa superar uma dificuldade.

Ela está por dentro e por fora.

A externa é mais fácil de perceber e por vezes assusta.

A interna fica escondida da multidão nas zonas abissais do cérebro e só o seu dono pode mostrar como ela é.

Existe a cicatriz histórica que mexe e remexe com a própria história.

Cada povo tem a sua cicatriz.

Sarar uma cicatriz é processo longo.

A cicatriz é filha da ferida.

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A elaboração desta concrecoisa contou com a ajuda do amigo poeta e escritor José de Jesus Barreto. Ele completou “cicatriz traz” com “ferida sarada”.

A síntese ficou muito boa, além da sonoridade!

Cicatrizemos!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Concrecoisa Cabeça


O que passa pela cabeça de cada um é assunto intrigante e que alimenta trilhões de páginas de livros.

A psicanálise tenta explicar. 

Pois na cabeça cabe tudo.

Ou não, como dizia Walter Franco, autor da canção “Cabeça”, defendida no Festival Internacional da Canção de 1972. 

– O que é que tem dentro dessa cabeça, irmão. Essa cabeça pode..., dizia Walter Franco.

Ainda na música, a cabeça, no plural, estampava na capa do LP “Bicho de 7 cabeças”, de Geraldo Azevedo. O disco foi lançado em 1979.

Outro disco que levou o nome cabeça foi do grupo de rock Titãs. “Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986, foi o terceiro álbum da banda.

E a cabeça que rola na música tem ligação direta com Medusa, da mitologia grega, com sua cabeça cheia de serpentes.

O medo cabe na cabeça!

Obedeça a cabeça. Desobedeça a cabeça.

Tudo cabe e não cabe na cabeça. 

Cada um sabe (ou não) a dor de cabeça que tem!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Concrecoisa Geometria em harmonia


As formas geométricas estão em todos os lugares.

Elas falam por si.

São poemas muitas vezes despercebidos.

Os polígonos são versos.

As linhas retas e curvas são versos.

Os círculos são versos.

E nenhuma forma precisa brigar com a outra para viver feliz, nem com as linhas.

Elas vivem em harmonia.

Os círculos convivem com os polígonos, com as linhas retas e curvas.

Essas formas geométricas em harmonia ensinam mais do que todos os tratados que buscam deixar o mundo melhor e sem conflitos.

A lua redonda, lá no céu, sorri no quadrado da janela.

Assim é a poesia das formas geométricas diante dos nossos olhos.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Concrecoisa Ciúme


O ciúme é capaz de tudo.

Já fez inúmeras vítimas e continua fazendo.

A Bíblia mostrou que o ciúme alimentou o instinto mais primitivo do homem.

Esse instinto fez Caim matar Abel.

O ciúme é uma semente da inveja.

Ele age como gotas de veneno que matam aos poucos.

E de tanto ceifar vidas, por vezes ele acaba cometendo suicídio.

O ciúme também gira como ponteiro de um relógio solar no dorso da história da humanidade.

Qualquer hora é a sua hora de despertar!

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Concrecoisa Sozinho


Tudo tem um porém

E esse porém gosta de brincar com a imaginação

Foi assim que a borboleta dos sonhos do poeta José de Jesus Barreto brincou de ziguezaguear com o passar do dia

Ela gosta de driblar as folhas secas que beijam o chão ao sabor do vento

E numa dessas brincadeiras assistidas por Barretinho

Lá num certo além

Uma borboleta pensou que era Garrincha

Aquele que se divertia entortando os adversários e de quebra escondia a bola num lugar que só Pelé tem o mapa

Dizem que esse lugar fica num outro além, muito além das quatro linhas do campo de futebol

O escritor e jornalista Nelson Rodrigues mostrou nas entrelinhas de suas crônicas futebolísticas o caminho para chegar nesse além

E entre um drible e outro

Cada um com o seu modo de viver

Alguém esqueceu de dizer

Que entre o porém e o além

Tudo é sozinho

E alguém é ninguém no além

A bola está lá...

É gol!

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Concrecoisa Pecados em pedaços


Os pecados

São pés descalços

Os pés descalços

São pedaços dos caminhos

Os caminhos 

São laços desatados

Os laços desatados

São novos caminhos dos pecados

Os pecados

São gritos silenciados pelas leis de aço

As leis de aço

São sussurros amordaçados

Os amordaçados

São todos

Ali tem sapato!

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Concrecoisa Avidavaleapena


Ninguém mais circulava mais pelas ruas.

Estava tudo travado.


Lockdown, lockdown, lockdown, lockdown...


Todos ficaram reféns das novas medidas.


Ditadura das leis, da ordem, do poder.


Choros e risos foram ouvidos nos apartamentos grandes e minúsculos.


E também nos barracos que são piores do que as velhas cavernas do período paleolítico.

Porém, os passos da vida ainda ecoam.


E nada de aglomeração.


Aquela transa deixou de rolar.


Tudo para evitar o monstro invisível, Seu Coronga.


Todos querem viver mais e mais.


"A vida vale a pena!", poetou Coroguinha disfarçado de anarquista.


"Seu Coronga não morreu, Seu Coronga sou eu", retrucou bem alto o dono da lei.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Concrecoisa O fio


Ele ficou ali, perdido, adormecido, esquecido…

Encontrei-o sem querer, num descuido do olhar.

Estava numa mesa com tampo de vidro, onde trabalho os meus pensamentos, as minhas ideias.

Ele ficou entre o vidro e a base de apoio.

Não sei como chegou ali.

Só sei que ele estava lá.

E a minha cabeça, sem ele, já não sentia a falta da sua presença.

Outros irmãos ajudavam a superar aquela perda.

Assim os fios de cabelo se vão.

Cada um procurando um novo cantinho para passar a viver.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Concrecoisa Moraes Moreira


A morte do compositor, cantor, cordelista e escritor Moraes Moreira, no dia 13 de abril, aos 72 anos, enlutou a Música Popular Brasileira (MPB).

Ele era o principal nome do grupo Novos Baianos, que fez  história na cena musical do final dos anos de 1960 e começo dos 70.

Eram tempos com tensões políticas e com mais arte e menos grana.

Moraes brilhou também em carreira solo e viu o Brasil descer a ladeira graças ao olhar de João Gilberto, seu mestre.

João também fez Moraes evoluir no tocar do violão.

Ensinou-lhe sem precisar dar aula, só dedilhando clássicos da bossa nova, encantando, brasileirando, agregando gerações.

Autor da canção “Acabou Chorare” em parceria com Luiz Galvão, obra que deu nome ao disco emblemático de 1972 dos Novos Baianos, Moraes conseguiu transitar pela música trieletrizada do Trio Elétrico Dodô & Osmar.

Nesse trânsito sem preconceito, deu molejo ao frevo pernambucano com o dendê da Bahia.

De Ituaçu, interior baiano, ele saiu com o violão colado ao peito para conquistar o Brasil com música.

Agora ele deixa esta dimensão para conquistar a eternidade!

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Concrecoisa Controle da história


Em conferência na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em março deste ano, o escritor e antropólogo Antonio Risério apresentou um rico trabalho intitulado "Em busca da nação perdida".

Tive a grata satisfação de ler o material, que acabou virando tema da concrecoisa desta sexta-feira (24/04/20).

Diz Risério que "certa esquerda brasileira se empenhou numa revisão" da história do Brasil, num "empenho mal", optando pelo "maniqueísmo".

E por conta desse maniqueísmo, "repetiu a velha história, invertendo os seus sinais".

Disse ainda que isso se agravou nos parâmetros escolares do ensino no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando "esta história se converteu em práxis escolar...".

E numa lucidez que merece moção de aplausos, Risério afirmou que "esta nova história substituiu mentiras antigas por mentiras novas".

Foi neste ponto que a concrecoisa brotou.

Obrigado Risério pela sabedoria, pela conferência, e por ver tudo isso dentro do caldeirão de irracionalidade que tomou conta do Brasil.